Saraiva+Associados leva 30 anos de Arquitetura para a rua
Trinta painéis de grande formato, desenhados como gigantescos marcadores de livro, devolvem à cidade 30 dos projetos que marcaram o percurso do atelier. Para celebrar três décadas de atividade, a Saraiva+Associados (S+A) escolhe o espaço público como palco para apresentar o seu percurso, sob o título Reflexo. 30 Anos, 30 Projetos.
A partir de 18 de setembro, a exposição ocupa literalmente a rua, instalando-se no espaço diante do número 69 A-C da Avenida Infante Santo — sede do atelier — e transformando-a num ponto de encontro entre arquitetura e cidade. O dispositivo central da mostra é constituído por 30 painéis verticais de grande escala, desenhados à semelhança de um marcador de livro. Na rua, cada painel desempenha a mesma função: interrompe o fluxo urbano e ancora, na memória coletiva, a evolução das cidades e de um atelier.
Entre os trinta projetos selecionados contam-se algumas das obras que marcaram o percurso nacional e internacional da S+A desde 1996, como o Pavilhão de Portugal na Expo Dubai 2020, a Sede da Polícia Judiciária em Lisboa, o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, ou a Infinity Tower, também na capital — um conjunto que espelha a diversidade de escalas, geografias e programas com que o atelier tem trabalhado ao longo de três décadas. A exposição dará ainda a conhecer projetos que se encontram em desenvolvimento e que virão, no futuro, moldar a cidade.
A componente fotográfica e o desenho técnico de cada projeto dividem o protagonismo com um conjunto de vozes ligadas ao atelier. Ao longo do percurso expositivo, o pavimento e os pilares incorporam frases de arquitetos da S+A que tiveram e têm um papel essencial na vida da empresa, e que dialogam com os trabalhos apresentados, situando o atelier no contexto de uma reflexão mais alargada sobre arquitetura, tempo e permanência. “Talvez a nossa arquitetura ainda não esteja madura para ficar num museu.” é a frase que serve de mote à exposição, uma provocação que resume a opção do ateliê de trocar a galeria pela rua, devolvendo a arquitetura ao seu habitat natural.
“Depois de 30 anos a desenhar para os outros, fazia sentido devolver algo à cidade que nos viu crescer”, afirma Miguel Saraiva, fundador e CEO da S+A. “Achámos que fazia mais sentido ficar na rua do que fechar-nos numa sala. É aqui, no meio do trânsito e das pessoas, que a arquitetura ganha o seu verdadeiro sentido.”
Com curadoria de Ana Magalhães, a exposição, que conta com o apoio da Junta de Freguesia da Estrela, é de acesso gratuito, estará patente durante dois meses, ininterruptamente, e não exige marcação prévia, convidando residentes, comerciantes e transeuntes a relacionarem-se com o desenho da cidade de forma direta e sem barreiras.
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