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ANAV aplaude chumbo europeu à compra da Etraveli pela Booking e alerta para risco de concentração

ANAV aplaude chumbo europeu à compra da Etraveli pela Booking e alerta para risco de concentração

A ANAV – Associação Nacional das Agências de Viagens saudou a decisão do Tribunal Geral da União Europeia que confirmou o bloqueio à aquisição da Etraveli Group pela Booking Holdings, classificando-a como fundamental para a defesa do Turismo.
Em comunicado divulgado esta quarta-feira, 10 de setembro, em Lisboa, a associação liderada por Miguel Quintas considera que a decisão reforça a importância de preservar a concorrência e a diversidade dos canais de distribuição no setor.
O Tribunal Geral rejeitou o recurso da Booking e manteve a decisão da Comissão Europeia de 2023, que impediu a operação. Na altura, Bruxelas argumentou que a compra da Etraveli – um dos principais operadores europeus de reservas de voos online – iria reforçar a posição já dominante da Booking no mercado das agências de viagens online no alojamento, e que essa força poderia ser usada como alavanca para dominar outros segmentos, como o transporte aéreo.
Para a ANAV, a sentença é um sinal importante para o equilíbrio do mercado europeu.
“A inovação e a escala das grandes plataformas são positivas para o Turismo, mas não podemos evoluir para um mercado em que um número muito reduzido de operadores controla progressivamente o alojamento, o transporte e as restantes componentes da viagem. A concorrência efetiva depende da existência de diferentes canais de distribuição e de condições equilibradas de acesso aos produtos turísticos”, explica Miguel Quintas, presidente da ANAV.
A associação sublinha que a diversidade de canais é essencial não só para a liberdade de escolha dos consumidores e para a inovação, mas também para garantir a sobrevivência das agências de viagens independentes num mercado cada vez mais digital e concentrado.
Nesse sentido, a ANAV defende condições equilibradas entre as grandes plataformas digitais e os operadores independentes, nomeadamente no acesso não discriminatório a conteúdos, tarifas, disponibilidade e inventário dos fornecedores turísticos.
“Precisamos de um mercado em que a dimensão e a inovação sejam fatores de competitividade, mas onde existam também regras que impeçam que essa dimensão se transforme numa vantagem estrutural impossível de acompanhar pelos restantes operadores. As agências de viagens independentes desempenham um papel fundamental na diversidade da oferta, na proximidade ao cliente e na capacidade de apresentar diferentes soluções de viagem”, acrescenta Miguel Quintas.
Para o presidente da ANAV, a decisão deve ser vista como “um reforço da importância de uma política de concorrência atenta às especificidades dos mercados digitais e à crescente integração entre os diferentes componentes da viagem”.
A associação garante que continuará a defender, junto das instituições nacionais e europeias, um ecossistema turístico aberto, concorrencial e diversificado, onde grandes plataformas, operadores especializados e agências possam competir em igualdade de circunstâncias em prol do consumidor.

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