Os mercados não salvam o bom aluno da Fitch. Veja o “Semanário” desta semana
4 de setembro: Do lixo ao A+ em nove anos: o bom aluno da Fitch
Longe vão os tempos em que a dívida soberana portuguesa valia lixo, na avaliação da norte-americana Fitch. Entrámos nesse cesto em novembro de 2011 e daí saímos em dezembro de 2017. Nove anos depois, uma grande notícia para o país em tempos de incerteza global. A agência de notação financeira elevou o ‘rating’ de Portugal de A para A+ e a Fitch justificou a decisão com a redução da dívida pública (que deverá cair para 87% do PIB), a melhoria dos saldos orçamentais (mais robustos e com disciplina orçamental, diz a Fitch) e o crescimento económico (2,1% este ano, superior à zona euro). Agora, ombreamos com a França e temos uma notação igual à Estónia, Lituânia, Eslovénia e Malta. E mais: apenas seis países da zona euro estão à nossa frente.
5 de setembro: Trump avisa europeus em modo “paga o que deves”
O presidente norte-americano já está em modo eleições intercalares (novembro está quase aí) mas isso não significa que as declarações de Trump se tornem mais ou menos erráticas. E o que quer o republicano desta vez? Que os países europeus reembolsem a ajuda financeira e militar concedida pelos EUA à Ucrânia e à NATO durante a administração anterior, liderada por Joe Biden. A verdade é que o regresso do republicano à Casa Branca desacelerou o investimento dos EUA na guerra da Ucrânia. Durante este mandato, não foram aprovados novos pacotes de financiamento para as tropas ucranianas.
6 de setembro: AfD: três letras bastam para causar sobressalto
O partido de extrema-direita alemão AfD (Alternativa para a Alemanha) registou uma vitória histórica nas eleições deste domingo, tornando-se o maior partido na Saxónia-Anhalt. O partido alemão obteve o dobro do valor que tinha obtido nas eleições anteriores nesta região, destronando a CDU do chanceler Friedrich Merz. Trump, Musk e até Ventura deram os parabéns a Alice Weidel, líder da AfD. Ainda os mercados dormiam e já os investidores anteviam que as bolsas iriam viver uma segunda-feira (e uma semana) muito difícil. A escalada militar dos EUA no Golfo Pérsico continuou a agudizar-se e desta vez foi atingido um petroleiro iraniano pelas forças norte-americanas.
7 de setembro: Adeus carimbos no passaporte (para quem chega a Portugal)
Serviram durante muitos anos para colecionar memórias de viagens, mas agora, para quem chegou a Portugal fora do espaço europeu por estes dias, passam a ser uma memória distante. O novo sistema eletrónico de fronteiras, designado de “Sistema de Entrada/Saída” (EES, na sigla em inglês), passou a ser uma realidade em Portugal após meses de testes que acabaram por causar filas que tinham tanto de exasperantes como de mediáticas. Agora, o Governo alerta que os voos não-Schengen poderão verificar maiores tempos de espera e alerta que estará a acompanhar o funcionamento do sistema e a trabalhar na melhoria dos procedimentos e das soluções tecnológicas”.
8 de setembro: Como matar uma moção de censura com 800 milhões
Foi apenas um dia, mas parecem dois ou três. De manhã, Luís Neves foi ouvido pelos deputados numa das audições mais esperadas do ano. Fintou as questões mais polémicas e levou a sessão para os temas que quis e que dizem respeito à sua governação. Ventura poupou todas as “balas” para a primeira moção de censura da história que só queria derrubar um Governo mas Montenegro tinha dois trunfos na manga: uma redução do IRS até ao sexto escalão e um suplemento extraordinário para pensões até aos 1.611 euros. Juntas, as medidas perfazem os 800 milhões de euros com que o Governo abafou por completo a contestação a Luís Neves (até à próxima polémica). Mas a guerra do Chega ao ministro promete novos episódios.
9 de setembro: 1,6 mil milhões no bolso e dívida pública portuguesa a subir
Acabaram-se as férias, é tempo de ir aos mercados. Mas Portugal confrontou-se com uma tendência mundial, após o levantamento de 1,6 mil milhões de euros junto dos investidores: um agravamento das “yields” que está também a penalizar os juros da dívida pública portuguesa e que fazem com que voltem a subir em todas as maturidades impulsionados pela tensão geopolítica no Médio Oriente e a amplamente antecipada subida das taxas de juro do BCE, algo que se confirmou. É verdade que Portugal é um bom aluno para a Fitch (e a confirmar está a subida no rating) mas nada disso nos salva quando se trata de obter financiamento no mercado de dívida pública.
10 de setembro: Lagarde não perdoa… aí vão as taxas de juro
Tal como se espera, o Banco Central Europeu decidiu aumentar as três taxas de juro diretoras em 25 pontos base e os motivos estão bem à vista: a inflação não está a dirigir-se ao objetivo de 2% e há uma pressão nos preços provocada sobretudo pela escalada do conflito no Golfo Pérsico. Chegados aqui, o mercado olha para o futuro de duas formas: há analistas que perspectivam uma nova subida até final do ano e outros, mais otimistas, que esperam que este aumento não marque um novo ciclo de maior aperto. O aumento do preço do barril de petróleo foi bastante pronunciado esta semana com o valor do Brent a superar a barreira dos 100 dólares e a elevar a inflação da Zona Euro para 3,3% em agosto.
Share this content:



Publicar comentário