BCE: Subidas futuras dependerão sobretudo da energia, defende governador alemão
As próximas decisões quanto aos juros na zona euro estarão fortemente relacionadas com a evolução dos custos da energia, defendeu esta sexta-feira o governador do banco central alemão, isto no dia a seguir a nova subida das taxas diretoras.
Em declarações à CNBC, Joachim Nagel ligou novas subidas no futuro imediato à questão energética, que tem sido a principal impulsionadora dos preços no bloco da moeda única.
“Vai estar muito dependente de como os preços da energia evoluem, como o cenário dos preços vai evoluir durante, talvez, o próximo mês”, afirmou o governador do Bundesbank no dia seguinte a nova subida de juros pelo Banco Central Europeu (BCE). A taxa de referência para a zona euro fica assim em 2,5% depois do segundo aumento de 25 pontos base (pb) este ano, que foi também o segundo desde o arranque da guerra no Golfo Pérsico.
Nagel argumentou ainda que a taxa após a subida de setembro corresponde ao limite superior do intervalo da taxa neutra, ecoando assim os comentários do economista-chefe do BCE, Philip Lane, em junho. À altura, Lane havia indicado precisamente que 2,5% ficaria ainda dentro do intervalo estimado para a taxa neutra, ou seja, o valor de juros que não estimula nem restringe a economia.
Na conferência de imprensa que se seguiu ao anúncio de política monetária, a presidente Christine Lagarde desvalorizou o tema, classificando a taxa neutra como “algo altamente conceptual” e a que os técnicos do BCE “não estão a atribuir grande importância” no atual contexto de choques exógenos consecutivos.
O mercado entendeu esses comentários como um sinal de que a inclinação dos banqueiros europeus é para mais aperto, sobretudo quando combinados com a atualização em alta das projeções da inflação para 2027 e 2028. Neste último ano, o indicador fecha em 2,1%, ou seja, o BCE sinalizar já não estar confiante que a pressão nos preços alinhe com o objetivo de médio prazo de 2%.
Ainda assim, e questionado explicitamente sobre quantas subidas projetava até final do atual ciclo, Nagel rejeitou comentar. “É muito cedo para especular sobre isto. O que vemos é que os preços da energia subiram na semana passada e agora estamos próximos dos 110 dólares (94,9 euros)”, completou.
O governador germânico aproveitou ainda para tentar afastar preocupações com os baixos níveis de gás natural armazenado na Europa na antecâmara dos meses mais frios. A situação não preocupa, garante, e não pode ser comparável à crise de 2022, dado que as opções de fornecimento são muito mais amplas e diversificadas, nomeadamente via gás natural liquefeito (GNL).
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