Exportações de componentes automóveis recuam 7,8% até julho
As exportações portuguesas de componentes para automóveis diminuíram 7,8% nos primeiros sete meses do ano, para 5.994 milhões de euros, pressionadas pela quebra da procura nos principais mercados europeus, anunciou a Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA).
Só em julho, as vendas ao exterior do setor recuaram 6,6% em termos homólogos, para cerca de 950 milhões de euros. A evolução contrasta com o comportamento global das exportações nacionais de bens, que cresceram 6,5% no mesmo mês.
Apesar da quebra, os componentes automóveis representaram 12,3% das exportações portuguesas de bens transacionáveis.
A Europa continua a ser o principal destino da produção nacional, concentrando 87,4% das exportações do setor. Entre janeiro e julho, as vendas para o mercado europeu caíram 8,5% face ao mesmo período de 2025.
Por mercados, Espanha manteve-se como o principal destino, com uma quota de 28,6% das exportações de componentes automóveis, embora as vendas tenham diminuído 9,8%. A Alemanha, que representa 19,9% das exportações, registou uma quebra mais acentuada, de 14,3%.
França, responsável por 9,5% das vendas ao exterior, foi uma exceção entre os principais mercados, com um crescimento de 1,8%.
A AFIA destacou ainda os aumentos das exportações para Itália e Polónia, ambos de 13%, e para Marrocos, de 12,6%. Em sentido contrário, as vendas para os Estados Unidos recuaram 26,7%.
Fora da Europa, as exportações para África e o Médio Oriente cresceram 17,1% nos primeiros sete meses do ano, enquanto as vendas para a Ásia e a Oceânia aumentaram 8%. Já as exportações para o continente americano diminuíram 21%.
“Estes números vêm confirmar a pressão sentida pela indústria portuguesa de componentes nos seus principais mercados europeus”, afirmou o presidente da AFIA, José Couto, citado no comunicado.
O responsável defendeu a necessidade de reforçar a competitividade das empresas portuguesas e de criar condições para que continuem a investir, inovar e produzir. Entre as prioridades apontadas estão o acesso a energia a custos competitivos, financiamento adequado, estabilidade regulatória e disponibilidade de trabalhadores qualificados.
Para a associação, a competitividade industrial deve estar no centro das políticas nacionais e europeias, através de medidas que promovam o investimento em inovação, tecnologia, qualificação e capacidade produtiva. A diversificação dos mercados e o reforço da presença dos fornecedores portugueses nas cadeias internacionais são igualmente considerados prioritários.
Os cálculos da AFIA têm por base as Estatísticas do Comércio Internacional de Bens divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística em 9 de setembro.
A indústria portuguesa de componentes automóveis reúne cerca de 360 empresas e emprega diretamente 62.500 pessoas. Em 2025, faturou 14,3 mil milhões de euros e apresentou uma quota de exportação direta de cerca de 85%. Segundo a AFIA, o setor representa 5,1% do Produto Interno Bruto e 15,3% das exportações nacionais de bens transacionáveis.
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