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Team Hyundai Portugal no Rali da Água e a cruel essência dos ralis

Team Hyundai Portugal no Rali da Água e a cruel essência dos ralis

O Team Hyundai Portugal viu a sua participação no Rali da Água Transibérico Eurocidade Chaves-Verin terminar prematuramente, falhando a extensão do seu histórico de sucesso numa prova onde tinha vencido cinco das últimas seis edições. A equipa ficou sem qualquer representante em prova após os acidentes sofridos pelas duas duplas logo no arranque do rali.
Hugo Lopes e Magda Oliveira foram os primeiros a abandonar na sequência de um violento acidente registado na quarta passagem pelo shakedown, realizada na sexta-feira. O Hyundai i20 N Rally2 sofreu uma saída de estrada seguida de vários capotamentos, o que obrigou o piloto e a navegadora a serem transportados ao hospital para exames médicos, tendo recebido alta horas mais tarde sem consequências físicas graves.
Saída de estrada afasta Gonçalo HenriquesCom a dupla Hugo Lopes e Magda Oliveira impedida de alinhar à partida, a representação da equipa ficou entregue a Gonçalo Henriques e Gonçalo Cunha. No entanto, o rali do Team Hyundai Portugal encerrou definitivamente na segunda prova especial de classificação, momento em que a dupla perdeu o controlo do Hyundai i20 N Rally2 e sofreu uma saída de estrada numa das zonas mais sujas do percurso, inviabilizando a continuação em prova.
O abandono precoce dos dois Hyundai i20 N Rally2 resume, de forma quase cruel, a essência dos ralis: uma equipa pode chegar a uma prova com um histórico dominante e duas duplas competitivas, mas ficar sem qualquer carro em competição poucos quilómetros depois. A coincidência dos dois abandonos depois de tantos sucessos é particularmente expressiva pois os dois carros da Hyundai ficaram de fora praticamente no início do rali, por circunstâncias diferentes.
É precisamente esta instabilidade que distingue os ralis de muitas outras modalidades automobilísticas. Num circuito, os pilotos competem repetidamente no mesmo traçado, com amplas escapatórias, referências conhecidas e condições relativamente controladas. Num rali, cada especial é uma sucessão de variáveis: o piso, a sujidade levada para a estrada, as mudanças de aderência, as zonas cegas, a meteorologia, as notas do navegadores e a margem de erro dos pilotos.Não se sabe ainda o que sucedeu no caso de Hugo Lopes, mas os pilotos e os carros já deram provas, resta portanto passar da frustação ao lado bom. Por outro lado, é essa a ironia dos ralis: as mesmas estradas que em alguns anos podem celebrar vitórias e confirmar o domínio de uma marca, no ano seguinte, tornar-se o cenário de um abandono duplo.
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