Renault Niagara: “pick-up” latino-americana
A Renault apresentou nova “pick-up” de cabine dupla concebida, desenvolvido e produzido na América Latina (fábrica de Santo Isabel, em Córdoba, na Argentina), onde o formato pode representar até 30% do mercado. Brasil e Colômbia são os outros dois alvos principais de um modelo com 4,94 m de comprimento proposto em versões 4×2 e 4×4 e com motorizações até 160 cv.
O Niagara é o primeiro automóvel de uma nova ofensiva internacional da Renault que prevê o lançamento de 14 modelos fora da Europa até 2030 (programa futuREady). Criado no Brasil e desenvolvido entre este país e a Argentina, esta “pick-up” pretende combinar as capacidades de trabalho e todo-o-terreno associadas ao formato com o conforto, a dinâmica e o equipamento de um Sport Utility Vehicle (SUV) do segmento C.
A escolha da América Latina não é ocasional. A região constitui um dos territórios estratégicos históricos da Renault e as “pick-ups” assumem ali uma importância muitíssimo superior à que têm na Europa, chegando a representar cerca de 30% das vendas de automóveis em alguns mercados latino-americanos.
O peso destes países também é muito significativo para a própria Renault. No ano passado, o Brasil foi o sexto maior mercado mundial do consórcio, com 131.596 automóveis e uma quota de 5,2%, enquanto a Argentina ocupou a 11.ª posição no mesmo “ranking”, com 59.016 unidades e 10,2% do mercado.
E a Renault, neste formato, também tem currículo. O Niagara sucede na ambição e no posicionamento à Oroch, “pick-up” derivada do Duster e comercializada na América Latina desde 2015/2016 (venderam-se mais de 250.000!). No entanto, a nova proposta representa uma subia de patamar, uma vez que procura aproximar-se dos SUV em matéria de conforto, tecnologia e qualidade percebida, mas sem abandonar a capacidade de carga e a robustez características deste tipo de veículos.
O nome Niagara também não é inteiramente novo. Em outubro de 2023, a marca do losango apresentou “concept” com a mesma designação. Tratava-se de “pick-up” com linhas muito mais futuristas que antecipava a nova geração de modelos destinados aos mercados internacionais. Segundo a Renault, o nome, de origem nativa americana, evocar a força, a robustez e a dimensão da natureza.
Com 4,94 m de comprimento na versão 4×4 e 4,91 m na 4×2, o Niagara baseia-se na plataforma RGMP desenvolvida para “pick-ups”. A dianteira, com um “capot” sobrelevado e uma grande grelha vertical, procura aproximá-lo, visualmente, de modelos de maiores dimensões, enquanto a integração entre a cabina dupla e a caixa de carga pretende conferir-lhe uma apresentação menos utilitária. As jantes são de 17’’ ou 18’’.
A imagem do habitáculo confirma a tentativa de aproximação aos SUV. O painel integra um quadro de instrumentos digital de 10,2” e um monitor central de 10,1”, a base do sistema de infoentretenimento, e apresenta-se equipado com carregamento de “smartphone” por indução, iluminação ambiente (48 cores) e, dependendo da versão, bancos dianteiros com regulação elétrica. O encosto do banco traseiro admite uma inclinação de até 25º e atrás da segunda fila existe um compartimento de arrumação com 36 litros de capacidade.
O Niagara é a primeira “pick-up” equipada com o sistema OpenR Link com Google integrado, disponibilizando Google Maps, Google Play e outros serviços conectados. Está prevista a integração do Google Gemini, permitindo utilizar o assistente de inteligência artificial através de conversação natural.
Até 160 cv e tração integral
Para o lançamento, a gama conta com um motor 1.3 turbo preparado para gasolina ou Flex Fuel, consoante o mercado. Desenvolve 156 cv na configuração 4×2 e 160 cv na 4×4, sempre com 270 Nm de binário máximo, e pode ser combinado com caixa manual de 6 velocidades ou automática EDC de dupla embraiagem, igualmente com 6 relações.
Nas versões de tração integral, o Niagara funciona com tração dianteira em condições normais, mas o sistema tem capacidade de transferir binário para o eixo traseiro de forma automática quando é necessária maior motricidade. Nas situações mais exigentes, a distribuição pode mesmo chegar aos 50:50. Estão disponíveis diferentes modos de condução destinados à utilização em estrada e fora dela.
A distância ao solo chega aos 233 mm no 4×4 e 223 mm no 4×2, enquanto a suspensão traseira com arquitetura multibraços foi desenvolvida “à medida” para proporcionar um comportamento mais próximo do de um ligeiro de passageiros. Os quatro travões utilizam discos ventilados.
O Niagara, naturalmente, dispõe de uma verdadeira caixa de carga. Tem 938 litros de capacidade, suporta até 654 kg e conta com oito pontos de fixação, tomada de 12 V e, consoante a versão, cobertura fácil de desenrolar e enrolar. A capacidade máxima de reboque anunciada é de 710 kg.
A Renault também prevê o reforço da gama com uma motorização híbrida, mas só numa fase posterior da carreira comercial do modelo. E, assim, integra o Niagara no objetivo de eletrificar 50% dos carros vendidos nos mercados internacionais até 2030.
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