EUA: Reserva Federal sobe juros pela primeira vez desde 2023 e não deve ficar por aqui
A Reserva Federal não desiludiu os mercados e optou esta quarta-feira por uma subida de 25 pontos base (pb) nos juros diretores, a primeira em três anos, no mandato de Kevin Warsh e contra a vontade expressa múltiplas vezes por Donald Trump. Investidores e analistas interrogam-se agora se esta será uma subida isolada ou o início de novo ciclo de aperto.
Esta foi a primeira subida desde 2023, mas que os mercados já antecipavam perante a pressão inflacionista renovada com o alastrar do conflito no Médio Oriente e subsequente disparo nos preços da energia. A agravar a situação, as yields dos títulos soberanos têm subido de forma assinalável nos últimos tempos, pressionadas pela montanha de dívida crescente dos governos nacionais e pelo investimento em inteligência artificial (IA), que tem ‘secado’ outros sectores.
O comunicado fala numa decisão unânime, com 12 votos a favor e nenhum contra, reconhecendo que “a inflação continua alta” apesar de destacar vários pontos positivos ligados ao mercado laboral e crescimento.
Na antecâmara da reunião, a FedWatch Tool dava 92,5% de probabilidade a uma subida de 25 pb na reunião de setembro, isto quando há um mês não passava dos 33%. As taxas de referência para a maior economia do mundo ficam assim entre 3,75% e 4%.
Além da decisão quanto aos juros, as projeções macroeconómicas dos membros do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) também foram atualizadas – o que, na ausência de comunicação do banco quanto aos próximos passos, será tomado pelo mercado como um sinal do caminho da política monetária.
A mediana da taxa terminal para este ano e o próximo foi revista em alta para 4,1%, ou seja, sugerindo que a maioria dos membros do FOMC vê mais uma subida de 25 pb este ano como provável. O famoso ‘dot-plot’, que traduz visualmente as projeções individuais dos responsáveis pela política monetária, indica que 16 dos 18 participantes na reunião esperam mais subidas este ano, com quatro a apontarem mesmo para mais duas subidas.
Esta visão é consistente com a revisão em alta da inflação este ano de 3,6% para 3,7%, bem como para 2028, de 2% (o objetivo de médio prazo do banco central) para 2,1%. Por outro lado, também as projeções para a inflação subjacente para este ano e 2028 foram revistas marginalmente em alta, reforçando a noção que a Fed teme uma inflação mais prolongada e persistente.
Kevin Warsh, presidente da Fed que assumiu o cargo este ano, tem feito sua imagem de marca a recusa em dar qualquer tipo de forward guidance, argumentando que o banco central deve deixar o mercado tomar as suas decisões sem a influência da expectativa quanto ao rumo da política monetária. Na mesma linha, Warsh não incluiu as suas projeções quanto à taxa terminal, como já havia acontecido em junho, na sua primeira reunião à frente do banco central.
Por outro lado, o banqueiro reforçou várias vezes que não deixará a inflação continuar a correr acima do objetivo de 2%, algo que se verifica há cinco anos consecutivos, mas a sua nomeação levantou, desde o início, dúvidas sobre a independência em relação à Casa Branca. Agora, a autoridade monetária norte-americana vê-se obrigada a ir contra a vontade explícita do presidente, que vinha pedindo baixas de juros desde ainda antes de regressar à presidência.
[notícia atualizada às 19h13]
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