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Fed sobe juros pela primeira vez desde 2023: Wall Street trava, petróleo dita o ritmo

Fed sobe juros pela primeira vez desde 2023: Wall Street trava, petróleo dita o ritmo

A sessão de quinta-feira abre com os mercados ainda a digerir a decisão de véspera: a Reserva Federal subiu a taxa diretora em 25 pontos base, para o intervalo de 3,75%-4,00%, a primeira subida desde 2023. A justificação foi a pressão inflacionista ligada à escalada do petróleo, com o conflito entre os EUA e o Irão e os ataques a infraestrutura saudita no centro do problema.
O mercado já tinha esta subida praticamente toda precificada, mas o tom do novo presidente da Fed, Kevin Warsh, foi lido como hawkish — disse que a inflação subjacente “não melhorou de forma significativa” e que o banco central “tem trabalho a fazer”. O dot plot aponta para mais uma subida ainda este ano, com os analistas a apontarem dezembro como mais provável do que outubro, já que este último coincide com as eleições intercalares.
A reação de Wall Street foi negativa: o Dow Jones caiu 1,21% (631 pontos, para 51.461,90), o S&P 500 recuou 0,45% (7.551,81) e o Nasdaq ficou praticamente parado (-0,01%). Os bancos foram os mais penalizados, com JPMorgan, Bank of America, Citi e Wells Fargo a caírem mais de 1% e nalguns casos a aproximar-se dos 3%, por receio de que o ciclo de subidas ainda não tenha terminado.
Para hoje, a atenção nos EUA concentra-se nos pedidos semanais de subsídio de desemprego, com consenso perto de 210 mil, e no Philly Fed Index (indicador económico mensal que mede a saúde do setor industrial nos Estados Unidos), ambos às 14h30 em Lisboa — os primeiros indicadores que vão testar se o mercado aceita o tom de Warsh ou reage com mais nervosismo.
O petróleo continua no centro da história. É este vetor que está a forçar a mão da Fed, por isso vale a pena seguir se surgem sinais de alívio, como a reparação do oleoduto, ou pelo contrário uma nova escalada.
O Brent ronda os 106 dólares, perto de máximos de quatro meses, com o oleoduto East-West saudita fora de serviço e disrupções no Estreito de Ormuz a manter a pressão. Também os ataques  infraestruturas de gasóleo e gás na guerra da Rússia e Ucrânia ajudam à escalada dos preços dos combustíveis.
No mercado de dívida soberana, as yields do Treasury a 10 anos estão perto de máximos de quase duas décadas, acima de 5%, o que tem penalizado as ações e apertado as condições financeiras a nível global.
Na Europa a dinâmica é semelhante: as Bunds alemãs também tem subido, e o BCE elevou a taxa de depósito para 2,50% na semana passada, sinal de que o aperto monetário não é exclusivo dos Estados Unidos.
Quanto aos índices europeus, DAX, CAC 40, FTSE 100 e IBEX fecharam ontem em terreno positivo, entre 0,4% e 0,6%, com bancos e tecnológicas a recuperarem de perdas anteriores, mas essa sessão decorreu antes da decisão da Fed, pelo que a abertura de hoje deve refletir a correção registada em Wall Street.

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