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Hugo Santos Ferreira: “Estamos a levantar um fundo que pode ir até 300 milhões de euros”

Hugo Santos Ferreira: “Estamos a levantar um fundo que pode ir até 300 milhões de euros”

Após 12 anos a representar promotores e investidores imobiliários através da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), Hugo Santos Ferreira vai integrar, como managing partner, a equipa da OneMark Capital & Developments, de José Cardoso Botelho. Em entrevista ao JE, fala das razões que o levaram a escolher a promotora, da estratégia de atuação no mercado — com uma aposta virada para o segmento alto — e lança ainda um apelo ao Governo para que aposte cada vez mais no investimento direto estrangeiro.
Por que razão escolheu integrar a OneMark?
Decidi passar da fase da defesa do setor para passar a fazer o seu próprio exercício. Escolhi esta empresa pela ambição que tem em deixar projetos com marca em Portugal, aliando de uma forma muito clara a ambição e a visão à execução, com bases assentes na sustentabilidade e novas tecnologias.
Qual o volume de investimento em pipeline?
Estamos a levantar um fundo de 250 milhões que pode ir até aos 300 milhões de euros. É a nossa primeira ambição dentro do investimento coletivo que vamos fazer. Temos uma mão-cheia de projetos que estamos a analisar e já temos family offices com quem estamos a trabalhar ativamente para criar o melhor projeto imobiliário de Lisboa.
Em que regiões ficam essa mão-cheia de projetos? Quando podem ser anunciados?
Não me posso comprometer com nenhuma data, mas acho que brevemente vamos começar a anunciar. São na Grande Lisboa, Porto e Algarve.
Dos quatro segmentos (Signature, Smart, Curated e Opus Buildings Reborn), onde poderá haver mais oferta?
Em dois muito concretos. Os projetos que já temos em mãos são de Signature Living. São projetos nos segmentos mais elevados do mercado, onde incluiremos, em alguns deles, branded residences, em localizações absolutamente super prime. Depois, o Opus Buildings Reborn. A maioria dos edifícios dos anos 60 a 90, são hoje dedicados a escritórios. Vão ficar obsoletos com a entrada da diretiva da EPBD [Diretiva do Desempenho Energético dos Edifícios], que diz que até 2030 todos os edifícios vão passar a ser zero energy buildings. A grande maioria dos proprietários de edifícios de escritórios em Lisboa e Porto vai querer rentabilizar este investimento que foi feito e vai, obrigatoriamente, convertê-los em edifícios residenciais.
Com as branded residences querem trazer marcas internacionais?
Queremos trazer o melhor aos nossos clientes: trazer marcas quer ao nível de hospitality, de serviços ou de spas de marcas internacionais. Queremos trazer tudo isto para dentro dos nossos projetos residenciais e de hotelaria. Já estamos a falar com algumas marcas internacionais.
Os investidores vão ser na maioria estrangeiros? Haverá espaço para portugueses?
Vamos dar muita atenção ao cliente internacional no Signature Living, no Opus Buildings Reborn e no Smart Living. O Curated Living é um segmento médio-alto, claramente pensado para famílias portuguesas.
Os licenciamentos e burocracias são entraves ao investidor internacional?
Vou ver o tema pela positiva. Diria que 2026 pode já começar a ser apelidado como o ano das grandes reformas no setor imobiliário, principalmente na habitação, e o Governo está de parabéns. Vimos uma série de medidas serem aprovadas: a redução do IVA para 6% na construção nova e reabilitação, a implementação do Simplex Urbanístico e a reforma do arrendamento urbano. Já que estamos no ano das grandes reformas, pedia para continuarmos a ter uma boa captação de investimento estrangeiro. Temos de voltar a ter programas de captação de investimento estrangeiro, como o Golden Visa e o Residente Não Habitual, que sejam atrativos, simples e competitivos.
Quando podemos ver no mercado estas reformas?
São reformas estruturais que vão levar o seu tempo. Um projeto imobiliário dura dois, três, quatro ou cinco anos, se contarmos com o atraso no licenciamento. Uma obra demorará dois ou três anos. É preciso que os projetos saiam do papel, corram o seu processo nas câmaras municipais e, depois, sejam entregues às pessoas. Esses projetos vão demorar dois ou três anos a chegar às pessoas.

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