A carregar agora

Mais de metade dos portugueses recorreu a crédito para pagar contas, revela estudo da Intrum

Mais de metade dos portugueses recorreu a crédito para pagar contas, revela estudo da Intrum

Mais de metade dos consumidores portugueses (53%) recorreu a empréstimos ou a crédito para pagar contas nos últimos seis meses, enquanto 24% admitiram ter pago pelo menos uma fatura fora do prazo no último ano, segundo um estudo divulgado esta sexta-feira, 18 de setembro, pela Intrum.
De acordo com o European Consumer Payment Report 2026, realizado junto de 20.000 consumidores em 20 países europeus, os sinais de pressão financeira entre as famílias continuam a aumentar na Europa, com 56% dos inquiridos a indicar ter recorrido a crédito para fazer face às despesas correntes, acima dos 45% registados em 2025.
Em Portugal, a percentagem de consumidores que utilizou crédito para pagar contas ficou ligeiramente abaixo da média europeia, situando-se nos 53%.
O relatório revela ainda uma inversão da tendência de melhoria observada nos últimos dois anos no que respeita aos pagamentos em atraso. Em 2026, 29% dos consumidores europeus afirmaram ter pago pelo menos uma conta fora do prazo nos últimos 12 meses, acima dos 24% registados no ano anterior.
Em Portugal, a proporção de consumidores que admite ter falhado prazos de pagamento aumentou de 22% em 2025 para 24% em 2026. Apesar da subida, o país continua abaixo da média europeia.
Segundo o estudo, Alemanha, Suíça e França registam as taxas mais elevadas de pagamentos em atraso, com 53%, 39% e 37%, respetivamente. A Alemanha destacou-se pelo aumento expressivo face aos 26% registados em 2025.
Portugal surge entre os países europeus com menor incidência de atrasos nos pagamentos, juntamente com República Checa e Itália, apenas acima de Países Baixos (11%), Espanha (17%), Eslováquia (20%) e Noruega (21%).
Apesar destes indicadores, a maioria dos consumidores mantém confiança na sua situação financeira. O estudo aponta que 80% dos europeus acreditam conseguir suportar as despesas essenciais do dia a dia e 78% consideram ser capazes de pagar todas as contas mensalmente.
Citado no relatório, o presidente executivo da Intrum, Johan Åkerblom, afirmou que os consumidores europeus “têm demonstrado uma resiliência considerável ao longo de vários anos de incerteza económica”, mas alertou que o aumento dos pagamentos em atraso e do recurso ao crédito sugere uma crescente pressão sobre os orçamentos familiares.
O estudo conclui também que a incerteza económica está a tornar os consumidores mais prudentes. Atualmente, 58% afirmam estar mais receosos de realizar compras de elevado valor, contra 45% em 2025, enquanto 57% dizem estar mais cautelosos na assunção de riscos financeiros.
Em paralelo, 66% dos inquiridos referem estar a reforçar a poupança para fazer face a despesas inesperadas e 49% afirmam privilegiar a poupança em detrimento do consumo.
O relatório destaca ainda o crescimento da utilização de ferramentas de inteligência artificial na gestão das finanças pessoais. Em 2026, 29% dos consumidores europeus disseram recorrer a estas soluções, mais do dobro dos 13% registados no ano anterior.

Share this content:

Publicar comentário