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Irão: Governo defende que BCE deve “atuar com cuidado” na resposta à inflação

Irão: Governo defende que BCE deve “atuar com cuidado” na resposta à inflação

O ministro das Finanças defende que o Banco Central Europeu (BCE) deve atuar “com cuidado” face às pressões sobre os preços, considerando a situação diferente da crise inflacionista de 2022 por resultar de um choque da oferta.
Em entrevista à Lusa cerca de uma semana depois de o BCE ter voltado a aumentar as taxas de juro, Joaquim Miranda Sarmento considerou ser “preciso atuar com cuidado porque esta é uma crise bastante diferente daquilo que aconteceu em 2022”, quando a inflação atingiu máximos na sequência da invasão russa da Ucrânia.
“Cada vez que o Banco Central Europeu equacionar aumentar as taxas de juros, [deve] perceber se isso, de facto, tem impacto no controlo da inflação ou não, porque, nesta situação, a política monetária tem menos eficácia e tem menos graus de liberdade”, salientou.
Isto porque “continuamos a ter, sobretudo, um choque do lado da oferta”, explicou Joaquim Miranda Sarmento, aludindo ao impacto do conflito do Médio Oriente, numa zona produtora de petróleo nos preços da matéria-prima, da gasolina e do gasóleo.
De acordo com o ministro, a política monetária “responde a choques de procura”, enquanto a sua eficácia é mais limitada quando a inflação resulta de fatores do lado da oferta.
“É preciso usar a política monetária com cuidado porque não estamos perante um choque de procura”, reforçou o ministro na entrevista à Lusa, à margem da reunião informal de ministros dos Assuntos Económicos e Financeiros (Ecofin), em Dublin.
O ministro recordou que, quando começou a guerra na Ucrânia, a inflação já se encontrava “próximo dos 6%”, situação que considera distinta da atual, quando se registam níveis inferiores.
“Não havendo um choque de procura, a política monetária tem muito menos eficiência na sua atuação e é isso que o BCE deve ter em consideração”, defendeu ainda.
Ainda assim, disse admitir a intervenção do banco central da moeda única, já que “o BCE também não pode perder a credibilidade do seu mandato”.
O BCE tem o objetivo de manter a inflação em torno dos 2% para estabilidade dos preços na zona euro.
As declarações retomam a posição que Miranda Sarmento tinha expressado em junho pasado, quando considerou que a subida das taxas de juro anunciada na altura pelo BCE devido às pressões inflacionistas associadas à guerra no Médio Oriente “não era absolutamente necessária”.
Após a invasão russa da Ucrânia, o BCE iniciou, no verão de 2022, um ciclo de subida das taxas de juro para combater a inflação, tendo realizado 10 aumentos consecutivos até setembro de 2023.
Depois de manter os juros, o banco central iniciou cortes em junho de 2024 e manteve posteriormente uma trajetória de redução das taxas.
Já em junho deste ano, perante as novas pressões inflacionistas associadas ao conflito no Médio Oriente, o BCE voltou a aumentar as taxas em 25 pontos base, tendo mantido os juros inalterados em julho.
Há cerca de uma semana, o banco central voltou a subir as taxas em 25 pontos base, justificando a decisão com a persistência das pressões inflacionistas provocadas pelo conflito.
Em Portugal, a inflação acelerou para 3,3% em agosto, mais 0,3 pontos percentuais do que em julho, segundo os dados definitivos do Instituto Nacional de Estatística.

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