Ver renascer a casa dos mestres da Renascença
Uffizi é uma palavra que suscita, por si só, uma viagem sensorial por uma vasta paleta de mestres italianos. “O Nascimento de Vénus” desenha-se mentalmente. Ainda não estamos refeitos e já “A Primavera” ganha forma. Botticelli, claro, mas também Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael, Ticiano, Caravaggio ou Piero della Francesca, para não fastidiar.
Em Florença, a Galeria dos Uffizi é visita obrigatória. Não por decreto de Cosme Médicis, grão-duque da Toscana, que a idealizou para unir cenograficamente a praça da Senhoria com o Palácio Pitti, mas por ser a casa de nomes maiores da Renascença italiana. O número de visitantes atesta o seu poder de atração. Só no ano passado, 5,3 milhões encheram os Uffizi, cujos corredores estreitos e pequenas de galerias são muitas vezes exíguos para tais enchentes. Os números falam por si: a Galeria foi o segundo museu mais visitado de Itália em 2025.
A requalificação dos espaços impunha-se. E vai acontecer. O investimento de 50 milhões de euros anunciado pelo diretor da instituição, Simone Verde, prevê precisamente a requalificação dos espaços expositivos para proporcionar uma experiência mais confortável aos visitantes. A começar pela zona da receção, onde os procedimentos de segurança serão agilizados para os fluxos de visitantes se diluírem pelos diversos espaços. Uma das novidades será a criação de uma sala exclusivamente dedicada à história da coleção da galeria, e ainda uma outra com os Retratos de Homens e Mulheres Ilustres, de Andrea del Castagno, conhecida série de frescos do século XV que retratam generais, escritores e governantes.
A requalificação dos espaços da Galeria tem vindo a ser feita numa lógica gradual. Em junho, foram reabertas as salas dedicadas a Sandro Botticelli, que agora apresentam “A Primavera” (1480) e “O Nascimento de Vénus” (1485) frente a frente e em vitrinas de última geração, que permitem uma melhor visibilidade e fruição das obras. Em 2024, o museu renovou as galerias de pintura flamenga, e está prevista agora uma segunda fase para afinar a iluminação e a cenografia das obras.
A conservação também está prevista. O investimento no valor de 12 milhões de euros abarca intervenções nas fachadas e telhados, bem como novos sistemas de controlo ambiental. O timing não podia ser melhor, dadas as temperaturas recorde que se têm registado na Europa este verão. No Palazzo Pitti, os antigos aposentos de verão dos Médicis no piso térreo e mezanino, também serão objeto de intervenção, assim como a Galeria Palatinada, onde estão expostas as pinturas renascentistas e barrocas da família. O último andar irá ainda acolher um novo espaço expositivo.
Nos Jardins Boboli estão em curso diversas obras de restauro. Caso da Fonte de Neptuno, de Stoldo Lorenzi, e da Fonte do Oceano, de Giambologna, encomendadas por Cosme Médicis. O projeto também prevê a plantação de milhares de árvores e plantas.
Metade do investimento, 25 milhões de euros, será assegurado pela receita de bilheteira e pelo Ministério da Cultura de Itália. As obras irão decorrer gradualmente nos próximos dois anos, para evitar o encerramento total e minimizar o impacto que as mesmas possam ter durante a visita à galeria dos Uffizi.
Share this content:



Publicar comentário