Modelo de IA da Google invade de forma autónoma três empresas
O Gemini, o modelo de inteligência artificial (IA) da Google, invadiu de forma autónoma três empresas durante um teste de segurança, confirmou a empresa.
Um funcionário da Google disse à BBC que o Gemini encontrou “informações públicas online e adivinhou credenciais para aceder a sites que acreditava fazerem parte do teste”, mas que em cada um dos casos “o modelo [de IA] parou”. As empresas afetadas foram notificadas sobre a invasão.
De acordo com o meio de comunicação britânico os ataques, que foram inicialmente noticiados pelo Wall Street Journal, aconteceram em maio durante um teste levado a cabo pela Irregular, uma empresa que realiza avaliações de cibersegurança. Em declarações à BBC, no sábado 19 de setembro, a Irregular disse que infirmou a Google e todas as entidades afetadas pelas invasões em julho. “A Irregular tomou medidas imediatas e todos os problemas conhecidos da nossa parte foram corrigidos e resolvidos há semanas”, salientou.
A vice-presidente de Engenharia de Segurança da Google, Heather Adkins, disse à BBC, que “as três entidades foram informadas e trabalhámos com o nosso parceiro de formação nas mudanças que já implementaram” nos seus processos de teste. “Estes eventos destacam a importância de treinar modelos de IA poderosos para agirem de forma responsável”, acrescentou.
Para além da Google outras empresas já reportaram invasões a outras empresas devido à IA. Foi o caso da OpenAI, que detém o ChatGPT, da Meta, que possui o Muse, e da Anthropic, que tem o Claude.
No caso do modelo da OpenAI invadiu a Hugging Face. “Em julho de 2026, durante avaliações internas de cibersegurança, os modelos da OpenAI contornaram os controlos concebidos para os isolar da internet e comprometeram partes da infraestrutura de investigação interna da OpenAI e dos sistemas da Hugging Face“, confirmou a OpenAI. “O incidente ocorreu durante avaliações de cibersegurança de vários modelos da OpenAI e foi impulsionado principalmente por um modelo de pesquisa interno altamente capaz, comparável em escala ao GPT-5.6 Sol. Os modelos, operando com salvaguardas reduzidas, realizaram ações que não estavam alinhadas com os objetivos das tarefas atribuídas — comunicaram através de canais não autorizados, exploraram vulnerabilidades em infraestruturas partilhadas, obtiveram acesso à internet e acederam a sistemas de terceiros”, acrescentou a empresa.
No caso da Meta e ad Anthropic confirmaram que os seus modelos de IA também invadiram empresas, justificando estas invasões devido a “configurações erradas” desses mesmos modelos. A Meta disse que os testes de segurança foram conduzidos pela Irregular, o mesmo fornecedor de IA que realizou testes para o modelo de IA da Anthropic, que invadiu os sistemas de outras três empresas. Um porta-voz da Irregular disse que o incidente da Meta “é exatamente o mesmo problema de ambiente de avaliação que já foi divulgado pela Anthropic”.
Setor debate segurança da IA
A indústria de IA tem estado também a debater as questões de segurança da tecnologia. Isto surgiu depois do CEO da Anthropic, Dario Amodei, defender que se deveria abrandar o ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados de IA. A posição tem reunido apoios e oposição.
Entre o campo de apoiantes surgiram o CEO da Tesla e da SpaceX, Elon Musk e o CEO da OpenAI, Sam Altman, e também o líder da Google DeepMind. Contudo a ideia de Dario Amodei foi rejeitada pelo CEO da Meta, Mark Zuckerberg, pelo CEO da Nvidia, Jensen Huang, e também pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
No caso de Jensen Huang, que lidera a cotada mais valiosa do mundo, referiu que cabe aqueles que desenvolvem os modelos de IA agir de forma responsável. “Corram o mais rápido que puderem. Mas se, em algum momento, sentirem que a empresa está fora de controlo ou que o produto não será seguro, parem e certifiquem-se de que fazem tudo bem”, referiu, em declarações transcritas pela CNBC.
Quanto à Amazon defendeu que os modelos de inteligência artificial devem ser lançados apenas após testes rigorosos, de acordo com agência noticiosa Bloomberg. “Não vemos isto como uma escolha entre progresso e segurança. Os modelos devem ser lançados quando estiverem prontos e seguros para utilização, o que resulta de testes rigorosos e de fortes medidas de segurança. Existem riscos se isso não acontecer coletivamente, e acreditamos que, como indústria, em parceria com o governo, trabalharemos para implementar as proteções adequadas”, disse o porta-voz da Amazon, Tom Parnell, num e-mail, citado pela Bloomberg.
O responsável pela área de inteligência artificial da Microsoft, Mustafa Suleyman, defendeu que a competição com a China não deve servir de desculpa contra a implementação de salvaguardas de segurança da tecnologia, os chamados ‘guardrails’ na expressão inglesa.
“Não acho que devamos usar a China como bode expiatório para justificar o nosso próprio atraso em segurança da IA”, disse no programa GPS da CNN, em declarações transcritas pela agência noticiosa Bloomberg.
Mustafa Suleyman referiu que quem desenvolve IA deve definir metas para que os seus modelos sejam “limitados pelo código humanista” que acredita que todos no setor “deveriam estabelecer para eles, ou seja, que tenham diretrizes claras”, acrescentando que a regulamentação da tecnologia “não deve ser vista como algo mau” mas como uma criação de normas para “aumentar a segurança”.
Refira-se que em setembro um engenheiro demitiu-se da Anthropic e acusou a empresa e a OpenAI de agirem de forma irresponsável com a IA. Jacob Coxon, na rede social X (antigo Twitter), disse que estas empresas “estão a brincar com as nossas vidas” e disse que as pessoas que desenvolvem a IA “acreditam que esta pode matar-nos a todos até ao final da década”.
Jacob Coxon disse ainda que a Anthropic e a OpenAI estão a “correr diretamente em direção a uma superinteligência capaz de se autoaperfeiçoar”.
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