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“Os transportadores estão a sofrer bastante”, diz Adelino Almendra, vice-presidente da ANTRAM

“Os transportadores estão a sofrer bastante”, diz Adelino Almendra, vice-presidente da ANTRAM

A descarbonização é um caminho inevitável, mas a questão está em saber como concretizá-la sem comprometer a sustentabilidade económica das empresas. Os transportadores são, na sua maioria, PME com dificuldades de financiamento, uma situação agravada pelo aumento do preço dos combustíveis. Para Adelino Almendra, vice-presidente da ANTRAM — Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias, a transição energética exigirá um reforço dos apoios públicos e do investimento em infraestruturas. “Vão ser necessários apoios à aquisição, às infraestruturas e instrumentos de financiamentos para as PME”, afirma o especialista no painel “Que energia vai mover os transportes?” da conferência “Special Report: Transportes e Logística 2030”, que se realizou esta segunda-feira, 21 de setembro.
O responsável antecipa dificuldades significativas para o setor nos próximos anos caso não sejam assegurados os investimentos necessários na transição para veículos elétricos. A Associação, que representa mais de duas mil empresas, critica a falta de apoios para o setor dos transportes que teve um aumento de mais de 40 por cento no combustível. “A sustentabilidade ambiental não pode destruir a sustentabilidade económica. Tem de haver um ecossistema à volta disto tudo. Temos soluções muito boas para lá do elétrico, é preciso fazer este balanceamento”.
Adelino Almendra considera ainda que as medidas adotadas pelo Governo não têm sido suficientes para responder aos desafios enfrentados pelos transportadores, num contexto marcado pela pressão dos custos dos combustíveis. “As medidas do governo não têm sido suficientes. O diesel vai continuar caro, mas não podemos ter uma só solução. Temos de olhar para as soluções como um todo. Os transportadores estão a sofrer bastante. Em Espanha a diferença para os valores dos combustíveis é substancial”, acrescenta o vice-presidente da ANTRAM.
É neste ponto que o país vizinho surge como uma das principais preocupações. Segundo Adelino Almendra, Espanha mantém apoios extraordinários aos transportadores que são superiores aos atualmente disponíveis em Portugal. A ANTRAM questiona, em particular, se as regras relativas aos limites de auxílios de Estado estão a ser aplicadas de forma idêntica nos dois países.
Apesar da insatisfação crescente, a associação mantém uma posição de distanciamento em relação a essas iniciativas. A estratégia da ANTRAM passa pela negociação com o Governo, embora o setor deixe cada vez mais evidente a dimensão da pressão que está a suportar.

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