Bolsa de Lisboa acompanha rally europeu impulsionado pelo alívio no petróleo
O PSI terminou esta segunda-feira em alta, alinhado com o otimismo que dominou as principais praças europeias. O índice de referência do mercado nacional avançou 0,79% para os 9.617,39 pontos, de acordo com a Trading 212, num dia de ganhos transversais. Na plataforma Bloomberg, o fecho ficou registado nos 9.613,82 pontos, com uma valorização de 0,75%.
A sessão em Lisboa foi liderada pela NOS. A operadora de telecomunicações foi a cotada que mais subiu, com um ganho de 3,16% para 5,55 euros. Logo atrás ficou a Mota-Engil, que valorizou 1,99% para 5,115 euros, e a Sonae, que subiu 1,70% para 2,0950 euros.
Em bom plano estiveram também a Jerónimo Martins, a avançar 1,30% para 17,89 euros, e a EDP Renováveis, que ganhou 1,10% para 12,84 euros. No extremo oposto, as perdas foram contidas e concentradas em poucos nomes. A Ibersol foi a mais penalizada, ao recuar 1,57% para 10,00 euros, seguida pela Corticeira Amorim, que cedeu 0,72% para 6,94 euros. A Galp Energia, pressionada pela forte queda do crude, desvalorizou 0,46% para 21,79 euros, enquanto os CTT perderam 0,24% para 6,35 euros. A Altri terminou o dia sem variação, nos 4,72 euros.
O bom desempenho de Lisboa refletiu o que se passou no resto da Europa. O EuroStoxx 50, que reúne as maiores empresas da Zona Euro, fechou a subir 1,31% para 6.318,20 pontos, enquanto o Stoxx 600, o índice mais amplo da Europa, avançou 1,04%.
Em Londres, o FTSE 100 ganhou 0,75% para 10.739,01 pontos. Em Paris, o CAC 40 subiu 0,92% para 8.138,94 pontos e, em Frankfurt, o DAX valorizou 1,07% para 25.575,01 pontos. Madrid seguiu a mesma tendência, com o IBEX 35 a subir 1,08% para 19.724,40 pontos. A exceção foi Milão, onde o FTSE MIB destoou e fechou em queda de 0,28% para 52.100,43 pontos.
O grande catalisador do dia esteve no mercado de matérias-primas. Os preços do petróleo registaram uma descida acentuada. O Brent, referência para a Europa, caiu 3,70% para 100,03 dólares por barril, e o WTI, negociado em Nova Iorque, afundou 4,63% para 95,66 dólares.
“A descida acentuada dos preços do petróleo entusiasmou os investidores, depois de um comandante regional americano ter afirmado que os carregamentos de petróleo e gás natural liquefeito através do Estreito de Ormuz atingiram o nível mais alto em seis meses, um sinal de que os esforços de proteção naval e de desminagem dos EUA no Estreito de Ormuz estão a dar frutos, aliviando assim a pressão sobre as matérias-primas”, explicam os analistas do Millennium Investment banking.
O alívio no crude deu fôlego às ações e provocou também uma descida generalizada nas yields da dívida soberana. A yield da dívida alemã a 10 anos, que serve de referência para toda a Zona Euro, recuou 6,32 pontos base para 3,45%. No mesmo prazo, a obrigação soberana portuguesa a 10 anos acompanhou o movimento e viu a sua yield descer 8,65 pontos base para 3,81%.
No comentário de fecho intitulado “Alívio de preços do petróleo entusiasma investidores”, o Millennium investment banking sublinha que se viveu um dia de otimismo reforçado, com a maioria dos principais índices europeus a ganhar mais de 1%.
O banco de investimento aponta ainda para a expectativa positiva em relação à cimeira entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, esta semana na Casa Branca.
Sobre o mercado nacional, a MTrader refere que o PSI acompanhou o exterior com ganhos transversais à maioria das cotadas, num dia em que o BCP viu a DBRS elevar o seu rating.
A conjuntura desta segunda-feira assenta assim em dois eixos geopolíticos centrais. Primeiro, a aparente normalização do tráfego no Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de um quinto do petróleo mundial. A informação vinda da marinha americana foi lida pelo mercado como um sinal de desescalada no Médio Oriente, reduzindo o prémio de risco que mantinha o crude acima dos 105 dólares. Segundo, o posicionamento dos investidores para a cimeira entre Washington e Pequim. A perspetiva de um descongelamento nas negociações comerciais e tecnológicas tem impulsionado os setores mais cíclicos e tecnológicos. No plano macroeconómico, a queda do petróleo reforça a narrativa de desinflação na Zona Euro e abre espaço para que o Banco Central Europeu mantenha a trajetória de cortes de juros, o que explica o recuo de hoje nas yields.
A boa notícia para a Europa e para o Mundo, é que o Presidente dos Estados Unidos voltou a afirmar a sua intenção de contribuir para que a a guerra entre a Rússia e a Ucrânia acabe. “A Rússia, infelizmente, perdeu o controlo da sua indústria do gasóleo devido à guerra na Ucrânia. Um grande número de refinarias de gasóleo foram destruídas e estão, pelo menos temporariamente, fora de serviço”, disse Donald Trump na rede social Truth.
Trump disse ainda que a “o mundo inteiro sofre” com a guerra em curso desde 2022, e que “25.000 pessoas, na maioria soldados, estão a ser mortas todos os meses”.
“Esta guerra ridícula e interminável [da Rússia] com a Ucrânia tem de acabar”, escreveu na rede social.
Trump anunciou há uma semana passada que a Rússia e a Ucrânia tinham concordado em não atacar alvos ligados à energia, mas Ucrânia, no fim de semana das eleições da Rússia a Ucrânia voltou a atacar petrolíferas do país vizinho. Volodymyr Zelensky afirmou este domingo que a Ucrânia utilizou uma variedade de mísseis e drones no ataque – incluindo os mísseis Flamingo e Pelican, de fabrico ucraniano – para atingir instalações petrolíferas e de logística. “São milhares de milhões de dólares que sustentam a máquina de guerra”, disse o presidente ucraniano.
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