Portugal Duty Free avança na estratégia ESG e quer liderar o setor de travel retail “pelo exemplo”
O ano de 2025 foi, para a Portugal Duty Free, um ano de mudança no campo da sustentabilidade, e a onda de transformações que as lojas do grupo atravessaram mostra isso mesmo. Presente nos principais aeroportos nacionais, a insígnia de lojas de produtos duty free, que calculou a sua pegada de carbono de forma inédita no ano passado, acaba de publicar o primeiro relatório de sustentabilidade, que coloca em duas centenas de páginas (digitais) o “amadurecimento da estratégia ESG e a ambição de liderar o setor pelo exemplo”.
O Jornal Económico (JE) falou com Edite Louro, diretora de Sustentabilidade da Portugal Duty Free, sobre as prioridades estratégicas e as bases daquela que tem sido “uma jornada contínua de inovação e responsabilidade” preocupada em aliar a “modernização do negócio ao impacto positivo nas comunidades e no ambiente”.
“A estratégia ESG da Portugal Duty Free começou a ser definida no início de 2025. O trabalho realizado ao longo do ano permitiu evoluir de uma fase de diagnóstico para a definição da estratégia e a construção do Plano de Sustentabilidade 2026-2029 e a realização deste primeiro report voluntário de 2025″, revela.
São cinco os pilares estratégicos que a empresa tem em conta na suas operações – Travel Experience, Pessoas, Planeta, Cadeia de Valor Sustentável e Governança -, e os resultados do primeiro ano são visíveis.
Na dimensão ambiental, explica, a empresa atingiu “um marco histórico ao cumprir com sucesso a meta de “Zero Resíduos para Aterro”, atingindo a taxa de 100% de resíduos reciclados ou valorizados (uma subida de seis pontos percentuais face a 2024)”, para o qual contribuíram projetos como o denominado “Pano para Mangas”, direcionado para a valorização e reciclagem de uniformes antigos em fim de vida.
Passando ao critério social, “estabilidade” é palavra tanto de expectativa como de realidade. “Aumentámos a nossa força de trabalho em 7,7%, contando agora com 754 colaboradores (FTE), dos quais 70% possuem vínculos permanentes”, revelou ao JE. Quanto à taxa de rotatividade, Edite Louro aponta para os 27%, abaixo da média de 41% registada no setor da distribuição.
Na questão da Igualdade de Género e Liderança, a Portugal Duty Free ocupa “uma posição de vanguarda”: as mulheres representam 58% do ecossistema da empresa, ocupando 54% dos cargos de gestão de topo. Na direção de departamentos e de lojas, verifica-se uma “paridade perfeita de 50%/50%”.
Quanto à Governança, a empresa “reafirmou os mais elevados padrões éticos e de eficiência”, garante. “Mantivemos o nosso histórico imaculado com zero condenações ou sanções por corrupção/suborno e zero processos judiciais por atraso de pagamentos a fornecedores. Demos também um passo decisivo na transformação digital e descarbonização da nossa logística ao implementar o projeto-piloto e-CMR na rota Faro-Montijo, eliminando a 100% o papel na documentação de transporte (com vista à expansão para Lisboa), e reforçámos a confiança dos nossos clientes no ecossistema Click & Collect com novas Políticas de Proteção de Dados e Segurança de TI”.
Assumindo o “propósito central” de “”Levar Portugal ao Mundo” de forma responsável, ética e consciente”, Edite Louro, que assumiu funções há pouco mais de um ano, defende que os resultados do roteiro de sustentabilidade da empresa refletem “com clareza o progresso extraordinário e o compromisso real” assumido “em fazer do travel retail um setor cada vez mais sustentável, responsável e alinhado com os melhores princípios ESG”.
Segundo Edite Louro, a “sustentabilidade foi uma componente fundamental da remodelação” das mais de 30 lojas Portugal Duty Free. Em causa está um investimento de 34 milhões na requalificação dos estabelecimentos comerciais daquela que é uma ‘joint venture’ entre a ANA – Aeroportos de Portugal e a irlandesa Aer Rianta International.
O que representa a publicação do primeiro relatório de sustentabilidade? “É um marco decisivo que reflete o amadurecimento da nossa estratégia ESG e a ambição de liderar o setor pelo exemplo”. “Temos a responsabilidade e o privilégio de ser o primeiro e último contacto de muitos viajantes com Portugal”, afirma.
“Para nós, ESG não é um projeto paralelo. Faz parte da forma como servimos os nossos clientes e da experiência que criamos nos aeroportos. O nosso plano de ação para o futuro está desenhado com metas bem definidas, garantindo que cada passo da nossa operação, desde a escolha dos fornecedores à experiência nas lojas, assenta na ética, na descarbonização e no valor partilhado com a sociedade. Este é um trabalho que tem evoluído e no qual iremos continuar a apostar com vista a atingir os objetivos propostos”, explica Edite Louro.
Para 2027, o plano de ação já está “estruturado”, avança, e os pilares People e Planet estarão na linha da frente.
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