F1: Gasly e Colapinto condenam ameaças
Pierre Gasly e Franco Colapinto condenaram publicamente — no sentido de repudiarem — as ameaças dirigidas ao francês e às pessoas próximas dele, na sequência de um episódio em pista, entre os dois pilotos da Alpine no GP de Espanha, em Madrid.
Nas últimas voltas da corrida, Colapinto seguia em sétimo, pressionado por Oscar Piastri, quando alcançou Gasly, que estava numa estratégia diferente, com pneus muito usados e ainda tinha de parar nas boxes. A Alpine avisou Gasly da aproximação do colega, mas não lhe transmitiu uma ordem explícita para trocar de posição.
Gasly acabou por atrasar Colapinto durante a volta de entrada nas boxes. O argentino reclamou várias vezes pelo rádio, enquanto Piastri reduziu a diferença de aproximadamente 2,3 segundos para apenas dois décimos; ainda assim, não conseguiu ultrapassar e Colapinto manteve o sétimo lugar.
Posição dos pilotosGasly confirmou que o episódio foi analisado internamente e que a situação ficou esclarecida, salientando precisamente que não existiu uma ordem formal para deixar passar Colapinto. Portanto, tratou-se essencialmente de uma falha de comunicação e gestão de corrida da Alpine, agravada pela frustração de Gasly com a sua própria estratégia.
Depois da corrida, Gasly, a namorada Francisca “Kika” Gomes e outros familiares receberam insultos e ameaças nas redes sociais. O francês considera normal que os adeptos critiquem um piloto, mas afirmou que as ameaças e o envolvimento de familiares ultrapassam completamente os limites aceitáveis.
Colapinto colocou-se ao lado do colega: disse que ambos mantêm uma boa relação, trabalham para o mesmo objetivo e apelou ao fim das mensagens abusivas. Reconheceu também que este comportamento não é exclusivo dos seus apoiantes e já atingiu pilotos, equipas e até comissários da FIA.
Um problema recorrenteEste caso ganhou maior dimensão porque não é um episódio isolado em torno da Alpine. Em 2025, Jack Doohan recebeu ameaças de morte antes de ser substituído por Colapinto, chegando a necessitar de proteção policial em Miami; em abril de 2026, a própria Alpine já tinha condenado ataques contra Colapinto e Esteban Ocon e desmentido teorias de sabotagem ou tratamento desigual.Não há, contudo, elementos que permitam responsabilizar a generalidade dos adeptos argentinos ou de Colapinto. As notícias referem uma minoria particularmente agressiva, e o próprio piloto argentino rejeitou inequivocamente esse comportamento.
Há ‘ferramentas’, mas…A União Europeia (e não só) dispõem de instrumentos legais para combater ameaças graves online, mas a aplicação concreta depende sobretudo dos Estados-Membros. O ‘Digital Services Act’ obriga plataformas a facilitar denúncias, remover conteúdos ilegais e cooperar com autoridades, enquanto outras normas europeias já cobrem crimes como ‘cyberstalking’, assédio online e incitação à violência em áreas específicas.
Na prática, porém, a dissuasão continua limitada por vários fatores: identificação difícil dos autores, contas anónimas, cooperação internacional morosa e diferenças entre sistemas penais nacionais. Isso ajuda a explicar por que motivo muitos casos geram forte indignação pública, mas acabam sem um efeito exemplar visível, apesar de haver base legal para perseguir e punir estes crimes.
FOTO MPSA Agency
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