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Dakar 2027 na Arábia Saudita sob crescente preocupação logística, e de segurança

Dakar 2027 na Arábia Saudita sob crescente preocupação logística, e de segurança

O Rali Dakar 2027 mantém-se oficialmente agendado para a Arábia Saudita, entre 1 e 15 de janeiro, com partida e chegada em King Abdullah Economic City, mas uma preocupação crescente nos bastidores, que já ultrapassa a mera especulação informal, marca o ambiente em torno da prova.
Equipas e construtores enfrentam a iminência de decisões cruciais sobre a contratação de pessoal, a preparação de material e o envio de veículos para a região, enquanto a ASO, organizadora do evento, garante que os preparativos prosseguem normalmente e qualifica os rumores de cancelamento como “infundados”, sem, contudo, anunciar publicamente qualquer plano alternativo.
A 49ª edição da prova está confirmada com um percurso ambicioso de 13 etapas e um prólogo, totalizando 8.390 quilómetros, dos quais 5.320 serão cronometrados – a maior distância competitiva desde que o Dakar se transferiu para a Arábia Saudita em 2020. A ASO afirmou estar a acompanhar a situação regional e a trabalhar em conjunto com os seus parceiros sauditas.
Cancelamento do WRC é mau sinal Um precedente que gerou alarme foi o cancelamento do Rali da Arábia Saudita, no WRC, que deveria encerrar o campeonato entre 12 e 15 de novembro. Embora a prova se mantenha integrada no Campeonato do Médio Oriente, a FIA justificou a decisão com a incerteza regional e os problemas logísticos daí decorrentes, e não com qualquer falha do organizador saudita. Este episódio tornou-se um forte sinal de alerta para o Dakar, que exige uma mobilização significativamente maior de veículos, pessoal e equipamento, por várias semanas.
As equipas encontram-se num verdadeiro “limbo”, conforme descreveu, por exemplo, Pit Beirer, diretor da KTM Motorsport. A marca tem de continuar a preparar-se, apesar de parte do seu pessoal manifestar reservas quanto à deslocação. A logística para a KTM, por exemplo, arranca por volta de 15 de novembro, com o envio de veículos e equipamento para as verificações e transporte marítimo. Os custos, incluindo a contratação de profissionais como médicos, fisioterapeutas e motoristas especificamente para o Dakar, já se acumulam antes de haver certeza sobre a viabilidade da prova na Arábia Saudita.
Problemas multiplicam-se…A questão das políticas internas dos construtores também é relevante. Relatos do jornal Marca indicam que as políticas de deslocação da Toyota e da Hyundai contribuíram para inviabilizar a participação das suas estruturas oficiais na ronda saudita do WRC. No Dakar, a situação é mais complexa, pois marcas como Dacia, Ford e Toyota recorrem a estruturas externas (Prodrive, M-Sport e Overdrive), mas pilotos, engenheiros e responsáveis continuam diretamente ligados aos construtores. O mesmo jornal avança que a Ford poderá enfrentar dificuldades com pessoal norte-americano e que a Toyota considera prematuro tomar uma decisão definitiva.
Outra preocupação central reside nas seguradoras. Se estas recusarem cobrir pessoas, viaturas, assistência, produção televisiva ou evacuação médica numa região classificada como perigosa, a organização poderá deparar-se com um obstáculo operacional e jurídico praticamente incontornável.Os veículos deveriam viajar por mar após as verificações europeias, o que exige a contratação antecipada de navios, rotas, armazenamento e seguros. Equipas reportam atrasos na compra de material, marcação de voos e formalização de inscrições, e os custos de transporte para a etapa de Abu Dhabi do W2RC terão duplicado ou triplicado.
Hipótese Marrocos é possível?A hipótese de Marrocos surge como uma alternativa lógica, dado que o país já acolhe o Rallye du Maroc, integra regularmente o Mundial de Rally-Raid e dispõe de terreno e estruturas adequadas. Contudo, a transformação desta possibilidade num Dakar completo em apenas três meses seria extremamente complexa, exigindo autorizações, definição de percurso, segurança, bivouacs, comunicações, transporte, alojamento e renegociação de compromissos comerciais.Por enquanto, Marrocos é um plano B desejado pelas equipas, mas não um projeto oficialmente em preparação.O período imediatamente posterior ao Rallye du Maroc é apontado no paddock como o limite prático para obter uma decisão, mas a ASO não formalizou esse prazo.
Os cenários possíveis para o Dakar 2027 incluem a manutenção na Arábia Saudita, dependente da estabilização política – ainda há algum tempo para isso – disponibilidade de seguros e ausência de novas restrições de viagem.A transferência para Marrocos é viável em termos de terreno, mas operacionalmente muito complexa, provavelmente, demais. O adiamento ou cancelamento, embora não anunciado, é uma perspetiva que muita gente considera cada vez mais preocupante.
A leitura mais rigorosa da situação revela um choque crescente entre o calendário político da ASO e o calendário logístico das equipas. Embora a ausência de um plano alternativo público não exclua o trabalho de contingência, não existe, neste momento, prova suficiente para afirmar que Marrocos esteja efetivamente preparado para acolher a prova. Como se sabe, há duas semanas falou-se de um rumor de um possível Dakar entre Portugal, Sul de Espanha e Marrocos, mas o mesmo se aplica: operacionalmente muito complexo. Resta aguardar pelas decisões.
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