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Investidores estão mais confiantes nas obrigações portuguesas. O que explica esta confiança?

Investidores estão mais confiantes nas obrigações portuguesas. O que explica esta confiança?

Os investidores estão a ver Portugal com melhores olhos na dívida soberana apesar da tendência de subida das yields [juro recebido para manter dívida]. As yields das obrigações a 10 anos mostram que, desde 2019, Portugal ultrapassou a França e continua à frente de Espanha, Estados Unidos, Reino Unido e Itália. Foi ultrapassado pela China. E fica atrás das obrigações da Alemanha e o Japão.
Isto numa semana em que as yields portuguesas, francesas, alemãs, japonesas, e norte-americanas bateram máximos de abril de 2017, julho de 2008, junho de 2009, agosto de 1996, e julho de 2007, respetivamente.
A análise contempla as yields das obrigações no último dia de negociação entre 2019 e 2025 e as yields de 24 de setembro, a 10 anos.
O que explica a melhoria relativa de Portugal, ao nível das obrigações, face a outras congéneres? Os analistas consultados pelo Jornal Económico (JE) apontam fatores como: crescimento económico, redução da dívida pública, perceção de menor risco, e as contas públicas.
O estrategista sénior de obrigações da Generali Investments, Florian Späte, sublinha, ao JE, que Portugal, ao nível das obrigações, tem sido um dos países com “melhor desempenho” na Zona Euro nos últimos anos. “O forte crescimento, os excedentes orçamentais sustentados e a redução do rácio da dívida reforçaram substancialmente o seu perfil de crédito e mantiveram o impulso positivo da classificação de risco”, explicou, atraindo investidores estrangeiros que “apoiaram a liquidez e mantiveram a procura resiliente”.
O analista da ActivTrades, Henrique Valente, diz, ao JE, que a melhoria relativa das obrigações portuguesas resulta de uma “perceção de menor risco”. Portugal tem reduzido de “forma consistente” o peso da dívida pública, apresentado contas públicas “equilibradas e registado excedentes primários”, sublinha.
O gestor de carteiras sénior na Equipa Principal de Obrigações – Mercados Globais, Allianz Global Investors (AllianzGI), Ranjiv Mann, salienta, ao JE, que o desempenho relativamente superior das obrigações do governo português, face aos principais mercados da Zona Euro, nos últimos anos, deve-se principalmente a “fundamentais macroeconómicos sólidos, apesar de um cenário político fragmentado”, reforçando que a economia portuguesa tem sido “uma das mais fortes” da Zona Euro.
O economista sénior do Banco Carregosa, Paulo Monteiro Rosa, assinala, ao JE, que Portugal “não ficou imune” à subida generalizada das taxas de juro desde 2019. “O que melhorou foi sobretudo o seu prémio de risco face a vários outros emitentes” com as contas públicas a serem “determinantes”.
Paulo Monteiro Rosa referiu que Portugal beneficiou de uma “combinação pouco comum”, nos últimos anos, de “crescimento económico, contas públicas equilibradas, dívida em queda e melhoria” do rating. “Países como França passaram a ser penalizados pela tendência claramente contrária e desfavorável das suas contas públicas. E Itália continua condicionada por uma dívida muito elevada e crescimento fraco”, explica.
 

Obrigações a 10 anos
31 dezembro 2019
31 dezembro 2020
31 dezembro 2021
31 dezembro 2022
31 dezembro 2023
31 dezembro 2024
31 dezembro 2025
24 setembro 2026

Portugal
0,44%
0,06%
0,48%
3,59% (30 dezembro)
2,78% (29 de dezembro)
2,83%
3,15%
3,96%

Espanha
0,46%
0,05%
0,59%
3,65% (30 dezembro)
2,99% (29 de dezembro)
3,06%
3,29%
4,06%

Reino Unido
0,82%
0,19%
0,97%
3,66% (30 dezembro)
3,53% (29 de dezembro)
4,56%
4,47%
5,39%

França
0,12%
-0,34%
0,19%
3,11% (30 dezembro)
2,55% (29 dezembro)
3,19%
3,56%
4,69%

Alemanha
-0,19%
-0,57%
-0,17%
2,56%
2,02% (29 dezembro)
2,36%
2,86%
3,57%

Japão
-0,02% (30 dezembro)
0,02% (30 dezembro)
0,07% (30 dezembro)
0,41% (30 dezembro)
0,61% (29 dezembro)
1,08% (30 dezembro)
2,07%
3,07%

Estados Unidos
1,91%
0,91%
1,51%
3,87% (30 dezembro)
3,86% (29 dezembro)
4,57%
4,15%
5,14%

Itália
1,42%
0,52%
1,18%
4,70% (30 dezembro)
3,69% (29 dezembro)
3,52%
3,51%
4,54%

China
3,17%
3,20%
2,78%
2,88% (30 dezembro)
2,59% (30 dezembro)
1,68%
1,86%
1,67%

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