CAP e ASAJA querem reforçar frente ibérica para defender agricultura portuguesa e espanhola em Bruxelas
O acordo, denominado Declaração de Ciudad Real, foi assinado no VI Congresso Ibérico Agropecuário e Florestal, que decorreu nos dias 24 e 25 de setembro sob o lema “Península Ibérica – Construindo um caminho juntos”. O objetivo é transformar a cooperação entre as duas organizações numa agenda permanente e coordenada em Bruxelas.
Entre as prioridades identificadas estão os custos de produção, o futuro da Política Agrícola Comum (PAC), a gestão da água, a prevenção dos incêndios, a mão de obra e a renovação geracional e, de forma mais abrangente, a sustentabilidade económica das explorações agrícolas.
Na área dos custos de produção, CAP e ASAJA defendem medidas para reforçar a competitividade das explorações e reduzir o impacto dos preços da energia, dos combustíveis e dos fertilizantes. Quanto à PAC, querem preservar uma política agrícola com dois pilares, dotada de um orçamento considerado adequado, e avançar com uma maior simplificação administrativa.
A água é outra das áreas centrais do entendimento. As duas organizações defendem uma Estratégia Ibérica da Água, assente em investimentos em armazenamento, regadio, reutilização e gestão eficiente dos recursos hídricos.
No combate aos incêndios, a declaração coloca o foco na prevenção e na gestão ativa do território, defendendo um maior reconhecimento do papel de agricultores, pecuários e produtores florestais na redução do risco de incêndio e a existência de financiamento europeu específico.
A renovação geracional é também apontada como uma prioridade. CAP e ASAJA defendem a promoção da imigração legal e da contratação regular de trabalhadores, bem como o reforço da formação profissional e das condições para atrair jovens para a atividade agrícola.
No capítulo do rendimento, as duas organizações querem garantir a viabilidade económica das explorações e associam essa questão à segurança alimentar, à coesão territorial e ao princípio da preferência comunitária. Defendem ainda reciprocidade nas regras aplicadas aos produtos importados através de acordos comerciais da União Europeia.
A CAP e a ASAJA comprometem-se a coordenar posições, partilhar informação e lançar iniciativas conjuntas em Bruxelas sempre que estejam em causa interesses considerados estratégicos para os dois países.
“A agricultura não conhece as fronteiras políticas que dividem a Península Ibérica”, defendem as organizações, considerando que a capacidade de Portugal e Espanha encontrarem posições comuns deve também ser acompanhada por uma maior articulação entre os respetivos Governos.
A declaração surge num contexto em que várias das questões que afetam a agricultura — dos custos de produção à disponibilidade de água, passando pelas regras europeias e pela mão de obra — ultrapassam as fronteiras nacionais e são discutidas no quadro das políticas da União Europeia.
“A agricultura ibérica tem futuro. Esse futuro será mais forte se Portugal e Espanha o construírem juntos”, concluem CAP e ASAJA.
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