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Marcelo premiado pelos jornalistas estrangeiros por ser próximo do povo e distante dos pedestais

Marcelo premiado pelos jornalistas estrangeiros por ser próximo do povo e distante dos pedestais

O ex-Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa recebeu, esta sexta-feira, o prémio Personalidade do Ano de 2025, pela Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal (AIEP), que distinguiu a sua proximidade ao povo e desinteresse por pedestais.
Esta justificação para o prémio atribuído ao anterior chefe de Estado foi dada pelo presidente da AIEP, Vicente Nunes, durante uma cerimónia que decorreu no Grémio Literário, em Lisboa.
Vicente Nunes elogiou também a ação do ex-chefe de Estado de Portugal em prol de causas como o Estado de Direito, a liberdade de imprensa e a defesa dos imigrantes, “hoje bodes expiatórios da ineficiência do Estado”.
Mas, no discurso seguinte, ao longo de uma hora, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a cumprir a sua promessa e nada falou sobre política nacional ou internacional.
O ex-Presidente da República lembrou as conversas “estimulantes” e “complexas” que teve com os membros da imprensa estrangeira em Portugal, durante as quais, em diversas ocasiões, ao longo de anos, lhe colocaram questões como a da situação da Ucrânia mesmo antes da intervenção da Rússia em 2022, ou sobre a América Latina, também antes de se concretizarem drásticas mudanças.
Não se referiu, porém, a um dos incidentes que teve no seu segundo mandato presidencial, quando, num desses encontros, após um jantar, em abril de 2024, foi divulgado o que falou sobre o primeiro-ministro, Luís Montenegro, “um urbano-rural”, e também sobre o antecessor no cargo, António Costa, um “oriental lento”.
Marcelo Rebelo de Sousa, desta vez, falou sobretudo sobre a sua longa ligação à comunicação social, apesar de nunca ter sido jornalista, até porque, ao longo da sua vida, sempre ganhou mais com pareceres jurídicos.
“A imprensa esteve sempre na minha vida. Estive na comunicação social desde 1965. Fiz comentário político durante 16 anos. É um recorde que só pode ser batido (e talvez em breve seja batido) por Luís Marques Mendes, que já tem 14 anos e meio de comentário político televisivo”, afirmou.
Disse, por várias vezes, que se sente “rejuvenescido” com a sua atividade de dar aulas a jovens do Ensino Secundário e com o tempo que agora dispõe para se dedicar à cultura. Em março passado, quando saiu do Palácio de Belém, comprou uma série de bilhetes para todos os espetáculos que pretendia ver até ao fim deste ano.
Mas, sobre política e sobre intervenção executiva, aprendeu um princípio com o seu pai: “Quando se vira uma página na vida, vira-se totalmente”.
Exemplificou com os fumadores. “Há aqueles que abrem uma exceção para fumar um cigarro, mas a seguir apetece-lhes logo outros. Política e cargos executivos acabaram para mim”, frisou.
Marcelo Rebelo de Sousa apontou que os seus antecessores na chefia do Estado optaram por outros caminhos. Uns permaneceram na vida política ativa; outros tiveram carreira internacional política; ou, outros, fizeram carreira académica com interrupções para a política.
“A ironia do destino é que recebo este prémio quando estou numa outra vida dentro da minha vida”, disse, dirigindo-se aos membros da imprensa estrangeira.
Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, após dez anos intensos como Presidente da República, o objetivo, agora, “é recuperar o que não foi possível fazer” nessa década em que esteve no Palácio de Belém – um palácio que disse ter conhecido ainda criança, no tempo de Craveiro Lopes como chefe de Estado.
O ex-Presidente da República apresentou também um dado pouco conhecido. Disse que, apesar de “aparentar ser jovial”, foi ele quem deixou o cargo de chefe de Estado com uma idade mais avançada. De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, só Cavaco Silva se aproxima deste seu recorde.
A partir deste ponto relativo à idade, abordou a questão da fé e da eternidade. “Mesmo acreditando na eternidade, não tenho a certeza que haja [praia do] Guincho e ondas na eternidade”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa.
Por isso, na sua perspetiva, o melhor é aproveitar agora, enquanto não se parte para a eternidade.
A terminar a sua longa intervenção, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que continua a ter uma atividade bastante intensa no seu dia-a-dia. E deu a seguinte explicação: “Ninguém desacelera de mil para dez”.

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