Livro: “Melancolia dos Confins. Norte”
Mathias Enard nasceu em Niort, uma vila no oeste de França, em 1972. Tem vivido pelo mundo, mas consta que a viagem pouco lhe interessa, a par da estranheza e da novidade. Move-se mais pela possibilidade de fixar-se, aprender a cultura, partilhar os hábitos, viver a vida como aqueles que habitam o lugar. Foi o que fez durante uma década, ao chamar casa a países como a Síria, o Líbano e o Egito. Ainda antes do 11 de Setembro e da Primavera Árabe. Atualmente, vive em Barcelona, mas escolheu Berlim como palco do seu novo livro.
Norte é o primeiro volume desta “Melancolia dos Confins”, em quatro estações, publicado pela D. Quixote, com tradução de Joana Cabral. Sob o nosso olhar, o autor de “Zona” e “Bússola” – que lhe valeu o prestigiado Goncourt em 2015 – desenha o seu atlas pessoal, cartografia íntima de um mundo feito de hiperligações.
Ao sair da clínica de Beelitz, onde foi visitar uma amiga que lhe é particularmente querida e que sofreu um acidente vascular cerebral, o autor transforma a sua melancolia num passeio, tanto para se aquecer como para afugentar a tristeza que o apoquenta. Enquanto cai a noite precoce e chuvosa do outono berlinense, Mathias Enard caminha pela cidade e pela sua história. E consegue, mais uma vez, o tom certo para celebrar encontros e diversidade.
Citando o autor, “tudo o que entra na literatura passa os confins do mundo dos fantasmas e, ao penetrar no universo da linguagem, abandona o seu invólucro carnal. O mundo do texto é um espectro, projetado por um aprendiz de ilusionista na alvura das nossas consciências.”
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