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Parabéns. Estamos em 2026 e ser adepto de futebol é uma *****

Parabéns. Estamos em 2026 e ser adepto de futebol é uma *****

Ser adepto de futebol é cada vez mais difícil, não só em Portugal, mas também muito em Portugal. Ouvimos, vezes sem conta, quem de direito a garantir que somos nós, os apaixonados, que fazemos funcionar o motor desta modalidade, mas também somos nós, os que estamos na parte rasteira da cadeia alimentar, quem mais mal tratado é por essas mesmas pessoas.
 
Ser adepto de futebol é querer ir ao estádio e não poder, porque o custo está totalmente alheado da realidade portuguesa. É ter de optar entre passar horas numa fila para a bilheteira, acordar mais cedo para fazer intermináveis ‘refreshes’ num site decrépito para conseguir uma nesga de oportunidade de comprar um ingresso ou ceder e pagar valores pornográficos no mercado paralelo.
Ser adepto de futebol é querer iniciar uma criança na paixão à bola, mas não conseguir, ou porque o regresso a casa vai ser já de madrugada e no dia seguinte há escola, ou porque vai ser bombardeada por impropérios durante mais de duas horas ou porque não vai sequer poder entrar no estádio com um mísero cachecol do clube do coração.
Ser adepto de futebol é ter de pagar perto de 50 euros por mês para garantir que não perde um único jogo, muitas vezes, num serviço ‘premium’ que de ‘premium’ só tem o preço. É saber que a alternativa é recorrer à pirataria ou, eventualmente, torcer para que um deles passe em sinal aberto, acompanhado do mais rasteiro do comentário desportivo.
Ser adepto de futebol é ter de escolher entre pagar quase 100 euros (no melhor dos casos) por uma camisola do clube favorito ou engolir os princípios e pagar um décimo desse valor, na candonga, por um equipamento que, muito provavelmente, foi fabricada por uma criança num país de terceiro mundo que voltou para casa com cêntimos na mão.
Ser adepto de futebol é não poder vibrar com as vitórias, porque surgirá sempre este ou aquele a dizer que se não fosse o árbitro, o relvado ou o mau tempo, a história seria outra. É não poder aprender com as derrotas, porque os mais altos responsáveis não sabem assumir os próprios erros e encontram sempre a mais idiota das desculpas para se irem agarrando aos respetivos cargos.
Ser adepto de futebol é não poder desfrutar de um Campeonato do Mundo pelo prazer que um Campeonato do Mundo dá, porque é organizado por uma das mais corruptas organizações do planeta, que só se preocupa em sugar dinheiro de todos os buracos imagináveis e em manter no topo da hierarquia quem for capaz de assegurar que nada muda.
Ser adepto de futebol é não ter a liberdade de poder dizer sem rodeios que Cristiano Ronaldo é o melhor jogador mundo sem que surjam fanáticos, ‘bots’ e afins a apresentar argumentos que nada têm a ver com futebol. É não poder dizer que Lionel Messi é ainda melhor sem que alguém rasgue as vestes sob o mais boçal dos patriotismos.
Ser adepto de futebol é ser hipócrita. É queixar-se de tudo isto e, mesmo assim, por carolice ou por que for, contar moedas para ir à bola, levar o filho adormecido ao colo para casa depois do apito final, juntar uma multidão num T1 para ver o dérbi e vasculhar nos saldos por uma camisola oficial de há cinco anos.
Ser adepto de futebol é gritar pela vitória e gozar com o vizinho, e vibrar com os jogos de Portugal Mundial. É ir ao céu quando Cristiano Ronaldo marca aquele golo decisivo, depois de passar horas a defender que nem convocado deveria ser, ao mesmo tempo que se pasma com aquilo que faz Lionel Messi sem deixar de pesquisar teorias da conspiração para o rebaixar.
Ser adepto de futebol é uma *****. Ser adepto de futebol é do caraças. Eles sabem, e aproveitam-se.

Ruben Amorim não apanhou o comboio, saltou-lhe para a frente
O espaço de opinião de Carlos Pereira Fernandes, editor de Desporto do Notícias ao Minuto. Em análise, está a certeza de que, dois anos depois da saída de Ruben Amorim do Sporting para o Manchester United, ninguém ficou a ganhar.
Carlos Pereira Fernandes | 07:51 – 21/09/2026

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