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“Há excesso de turismo em certas zonas de Lisboa. É uma realidade que temos de enfrentar”, afirma Carlos Moedas

“Há excesso de turismo em certas zonas de Lisboa. É uma realidade que temos de enfrentar”, afirma Carlos Moedas

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa assume que a cidade como o seu todo não tem turismo a mais, mas que o mesmo não acontece em determinadas zonas da capital. “Há excesso de turismo em certas zonas de Lisboa. Não é em toda a cidade. É essa realidade que temos que enfrentar”, afirmou Carlos Moedas, no seu discurso durante a VII Cimeira do Turismo Português, que decorre esta segunda-feira, 28 de setembro, numa unidade hoteleira em Lisboa.
Uma das mensagens transmitidas pelo autarca é o facto não querer um turismo de massas na cidade. “Lisboa quer turismo de qualidade, porque turismo de qualidade é crescimento e identidade e imagem internacional”, salientou, acrescentando que entram em Lisboa mais de 500 mil pessoas todos os dias, mas dessas apenas 50 mil são turistas.
“Por isso, a nossa aposta tem de ser no turismo de qualidade”, salientou, recordando que nos últimos anos tornou-se frequente ouvir discursos que olham para o turismo com desconfiança. “Hoje até há uma certa classe política que olha para o turismo com preconceito. Como se o turismo fosse um problema”, realçou.
O autarca não concorda com este sentimento, desde logo porque na cidade de Lisboa, 20% da economia é turismo e 25% do emprego em Lisboa é turismo. “Estamos a falar de milhares de empresas, de famílias, restaurantes, hotéis, comércio local, cultura, transportes, eventos e congressos. Estamos a falar de oportunidades para os nossos jovens e investimentos estrangeiros”, afirmou.
Como tal, defendeu que criticar o turismo não cria um único emprego, não gera riqueza e seguramente não melhora a vida das pessoas. “O debate não pode ser de turistas ou não turistas. É um falso debate. A verdadeira questão é saber que turismo queremos. Um turismo que não pode exigir um sacrifício permanente da cidade. Se queremos turismo de qualidade, temos que agir a nível nacional”, sulbinhou.
De resto, considera ter sido esta a lógica que esteve por trás do aumento da taxa turística em Lisboa, que permite hoje investir mais na limpeza urbana, nos espaços verdes, na cultura, na preservação do património.
“O turismo não destrói a identidade quando é bem orientado. O turismo preserva e valoriza essa identidade. Nenhuma cidade vence uma competição global por ser uma imitação das outras cidades. Vence quando valoriza aquilo que a torna única”, referiu Carlos Moedas.

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