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“Coesão territorial tem de fazer parte da estratégia do turismo português”, afirma António José Seguro

“Coesão territorial tem de fazer parte da estratégia do turismo português”, afirma António José Seguro

O Presidente da República considera que o sucesso para o desenvolvimento do turismo não pode ficar confinado aos grandes centros urbanos e aos destinos já consolidados. Como tal defende que “a coesão territorial tem de fazer parte da estratégia do turismo português e contribuir para renovar a atividade económica no interior, criar oportunidades de emprego e fixar população”. Esta foi uma das principais mensagens transmitidas por António José Seguro, no discurso de encerramento da VIII Cimeira do Turismo Português que decorreu esta segunda-feira, 28 de setembro.
António José Seguro concentrou a sua intervenção em cinco pontos, começando por agradecer o trabalho do setor na promoçaão do país litoral ao interior, das cidades às serras, dos campos às paisagens.
“A segunda é reconhecer o contributo do setor para afirmar Portugal como um país moderno, desenvolvido e capaz de responder às exigências do progresso. Mas também como um país com uma identidade própria, uma cultura singular e uma forma muito particular de receber e de nos relacionarmos com os outros povos”, referiu.
O Chefe de Estado reconheceu também o contributo do setor para a economia nacional, através da criação de riqueza, gerando emprego, contribuíndo para o equilíbrio das contas externas, para as receitas públicas e para a sustentabilidade financeira da Segurança Social. “E fá-lo em todo o território, envolvendo diferentes atividades, empresas e estratos da população”, realçou.
“A quarta é destacar o papel do turismo na valorização das infraestruturas públicas e privadas, contribuindo para aumentar a sua utilização, a sua produtividade e a capacidade de recuperar os investimentos realizados”, disse António José Seguro.
Por fim, destacou a capacidade de adaptação do turismo nacional perante crises internacionais, mudanças económicas e alterações profundas na procura. “O setor soube reinventar-se, responder aos desafios e encontrar novos caminhos”, sublinhou.
O Presidente da República salientou que o sucesso alcançado não dispensa uma reflexão sobre o caminho a seguir pelo setor. “O futuro do turismo não pode ser pensado apenas a partir de resultados do passado. O crescimento da atividade turística trouxe benefícios evidentes para o país, para as empresas e para uma parte significativa da população. Mas trouxe também novas responsabilidades.”, afirmou.
António José Seguro alertou que quando a concentração turística ultrapassa a capacidade de resposta dos territórios, das infraestruturas e dos serviços, surgem problemas que não podem ser ignorados.
“A pressão sobre a habitação, a mobilidade, o ambiente, os serviços públicos e a qualidade da própria experiência turística exige respostas concretas. Não basta crescer. É preciso garantir que o crescimento beneficia o país e é compatível com a qualidade de vida dos portugueses. É este o desafio que temos pela frente”, salientou.
Como tal, deixou uma questão para o setor relativa ao modelo de competitividade turística que quer para Portugal nos próximos 10 a 20 anos. “Não se trata de repetir o modelo que nos trouxe até aqui. Trata-se de identificar o que deve mudar, antecipar os desafios e preparar as condições para uma nova etapa de desenvolvimento”, afirmou.
De resto, assumiu que Portugal tem de ser capaz de atrair visitantes ao longo de todo o ano e de continuar a valorizar destinos que vão muito além dos grandes centros urbanos e dos locais tradicionalmente consolidados.
“Tem de transformar o potencial do interior em oportunidades reais de investimento, emprego e desenvolvimento. E tem de saber responder a um contexto internacional marcado por guerras, tensões geopolíticas, alterações no comércio mundial, flutuações dos preços da energia, inflação, taxas de juro e mudanças nas prioridades dos Estados e das famílias”, sublinhou.
Tudo isto, acrescentou o Chefe de Estado acaba por influenciar as decisões de investimento, os custos das empresas, os padrões de consumo e os fluxos turísticos. “A capacidade de antecipar estas mudanças será determinante para a competitividade do setor. Por isso, o meu apelo é claro: o turismo português precisa de uma nova ambição”, referiu.
Esta ambição e visão estratégica merecem e exigem segundo António José Seguro decisões estruturais, como é o caso do novo aeroporto de Lisboa, que será uma “questão decisiva” para a capacidade futura do país, assim como a privatização da TAP, tendo em conta o seu papel na ligação de Portugal aos mercados internacionais e na captação de turistas.
“São matérias que exigem visão, planeamento e capacidade de execução. Não podem ser tratadas apenas em função das necessidades imediatas e de encaixes financeiros”, salientou.

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