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BioNTech fecha três fábricas na Alemanha após falhar venda e elimina até 1.800 postos de trabalho

BioNTech fecha três fábricas na Alemanha após falhar venda e elimina até 1.800 postos de trabalho

A BioNTech vai encerrar três unidades na Alemanha depois de ter falhado a tentativa de encontrar compradores para os ativos, numa decisão que poderá afetar até 1.800 trabalhadores e que reflete o forte ajustamento em curso na indústria das vacinas de mRNA após o colapso da procura global por vacinas contra a covid-19.

A farmacêutica alemã, que ganhou notoriedade durante a pandemia com a vacina desenvolvida em parceria com a Pfizer, tinha anunciado em maio a intenção de abandonar várias instalações de produção na Alemanha, procurando simultaneamente alternativas que incluíam a venda parcial ou total dos ativos. No entanto, os esforços de desinvestimento não produziram resultados.
“Apesar dos esforços intensivos de todas as partes envolvidas e de um amplo processo de venda, infelizmente não foi possível concretizar uma transação”, afirmou um porta-voz da empresa à publicação especializada Fierce Pharma.
A reestruturação abrange as unidades de produção de Idar-Oberstein e Marburg, bem como a antiga sede da CureVac, em Tübingen. Esta última passou para o controlo da BioNTech após a aquisição da CureVac por 1,25 mil milhões de dólares concluída em 2025.
Além dos ativos alemães, a BioNTech mantém também os planos de encerrar a fábrica de Singapura, adquirida à Novartis em 2022, durante um período de forte expansão da sua capacidade de produção baseada em tecnologia de RNA mensageiro. A empresa não revelou se existem potenciais interessados para esta instalação.
O grupo estima que a consolidação das operações na Alemanha permitirá gerar poupanças anuais na ordem dos 500 milhões de euros. Os recursos libertados serão canalizados para a área da oncologia, considerada atualmente a principal aposta estratégica da empresa.
“A BioNTech pretende reinvestir estas poupanças, como parte da sua estratégia de alocação de capital, para acelerar o desenvolvimento do seu pipeline de oncologia rumo à comercialização”, acrescentou o porta-voz.
No segundo trimestre de 2026, a empresa registou perdas por imparidade de 96,1 milhões de euros relacionadas com propriedades, equipamentos e instalações, incluindo 87 milhões de euros associados às fábricas alemãs de Marburg e Idar-Oberstein. A estes encargos somaram-se custos de reestruturação relacionados com trabalhadores no valor de 97,6 milhões de euros.
O calendário de encerramentos foi também revisto. A unidade de Tübingen deverá encerrar no final de 2027, enquanto Marburg cessará operações no início de 2028 e Idar-Oberstein apenas no final desse ano. Já a fábrica de Singapura deverá fechar portas no primeiro trimestre de 2027.
Para tentar encontrar compradores, a BioNTech contratou um intermediário externo e contou até com o envolvimento das autoridades locais de Tübingen, que procuravam alternativas para reutilizar a infraestrutura industrial.
A decisão surge poucas semanas depois de a farmacêutica ter conseguido vender a sua subsidiária JPT Peptide Technologies a um fundo assessorado pelo grupo de investimento alemão Dubag. Na altura, o diretor de operações da BioNTech, Sierk Poetting, tinha garantido que a empresa continuaria a explorar alternativas para outros ativos industriais até ao final de setembro.
A reestruturação da BioNTech acompanha uma tendência mais ampla no setor das tecnologias de RNA mensageiro. A Moderna também tem vindo a reduzir capacidade produtiva desde a quebra das receitas provenientes das vacinas contra a covid-19. Em 2023, a empresa diminuiu a produção na unidade da Lonza, na Suíça, e posteriormente lançou um programa de redução de custos que visa cortar 1,5 mil milhões de dólares em despesas anuais até 2026, alargando mais tarde os objetivos até 2027.
Ao mesmo tempo, a Alemanha enfrenta pressões crescentes sobre o seu legado industrial na área das vacinas. A GSK anunciou recentemente o encerramento de uma unidade de produção de vacinas contra a gripe em Dresden, justificando a decisão com a menor procura por vacinas produzidas através de ovos embrionados. O movimento ocorre numa altura em que a indústria acelera a transição para novas tecnologias baseadas em mRNA, incluindo vacinas contra a gripe.
A mudança estrutural do mercado foi reforçada pela recente aprovação, pela autoridade norte-americana FDA, da primeira vacina contra a gripe baseada em mRNA, desenvolvida pela Moderna, sinalizando uma transformação tecnológica que poderá continuar a remodelar a capacidade industrial do setor farmacêutico nos próximos anos.

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