EUA: Medida preferencial da Fed para inflação fica abaixo do esperado em agosto
O indicador preferencial da inflação nos EUA para a Reserva Federal ficou abaixo do esperado em agosto, tanto na leitura nominal, como na subjacente, dando alguma margem de manobra às ‘pombas’ no banco central que não querem continuar a subir juros.
A leitura do índice de gastos pessoais de consumo (PCE) mostrou uma variação homóloga de 3,4% em agosto, consideravelmente abaixo dos 3,7% projetados pelos economistas consultados pelo Dow Jones. Em cadeia, este resultado traduz-se numa subida de 0,3%, o que fica em linha com o esperado.
Olhando para o indicador subjacente, que ignora as categorias mais voláteis, ou seja, a alimentação e energia, o indicador ficou em 3%, o que contrasta com os 3,3% esperados pelo mercado. Em comparação com o mês anterior, a inflação core foi de 0,2%, abaixo dos 0,3% projetados.
A energia continua a ser a principal responsável pela subida de preços, embora tenha havido subidas relevantes nos transportes e serviços.
Este é o indicador mais usado pelos responsáveis pela política monetária norte-americana na avaliação que fazem da pressão nos preços, pelo que a leitura de agosto dará força aos membros mais dovish do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) para se oporem a novas subidas de juro.
Recorde-se que a Fed decidiu subir os juros diretores em 25 pontos base (pb) na sua mais recente reunião, colocando as taxas de referência entre 3,75% e 4%. Nesta mesma reunião, houve também uma atualização das projeções macroeconómicas, onde as projeções para a inflação foram atualizadas em alta, bem como as expectativas quanto à taxa terminal este ano.
Os mercados estão agora a precificar duas subidas de 25 pb até final do ano, um cenário substancialmente distinto do previsto há meio ano.
Importa referir que a metodologia associada a este índice sofreu alterações, sobretudo na forma como avalia os preços para serviços de gestão, software e financeiros. Isto significou uma ligeira revisão em baixa da leitura de julho em 0,36 pontos percentuais (pp), colocando o valor do mês anterior em linha com agosto.
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