Governo francês leva ao parlamento orçamento que prevê cortes de 54 mil milhões de euros
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, está prestes a apresentar o projeto de orçamento para 2027, enquanto o seu governo trabalha para reduzir o défice do país através do corte gastos públicos – o que será fundamental para tentar o reequilíbrio das contas públicas. Os contornos gerais de muitas das propostas orçamentais do governo já foram anunciados, incluindo poupança nas pensões, congelamento dos salários do setor público e mudanças nas licenças financiadas pelo Estado.
O prazo para a submissão formal do Projeto de Lei de Finanças de 2027 à Assembleia Nacional é 6 de outubro. No entanto, o governo enfrenta um ambiente político turbulento num parlamento fragmentado, sem uma maioria clara de apoio ao governo, o que significa que o orçamento envolverá negociações difíceis e uma batalha parlamentar potencialmente árdua – tal como tem sucedido constantemente desde 2025.
Em entrevista recente ao ‘Le Figaro’, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu disse que o governo planeia cortes em torno de 54 mil milhões de euros, argumentando que, sem medidas de redução de custos, o défice público poderia chegar aos 6,5% do PIB em 2027; o governo quer conseguir um máximo de 5%. Lecornu declarou que o governo também espera um custo adicional de 10 mil milhões para financiar o peso da dívida francesa. “No próximo ano, devido ao contexto geopolítico e ao aumento das taxas de juros, o país precisará de encontrar mais 10 mil milhões de euros”, disse.
O governo também considera medidas para conter os custos das pensões, nomeadamente limitando sua indexação e reduzindo a dedução fiscal disponível para reformados. A redução do teto de 10% da dedução fiscal deve gerar mais 1,4 mil milhões para o Estado.
O défice orçamental de França deve atingir 5,4% do PIB este ano, um dos maiores da União Europeia, enquanto a dívida pública atingiu recentemente 119% do PIB. São níveis recorde ao longo dos dois mandatos do Presidente Emmanuel Macron, que desestabilizam investidores.
Arthur Delaporte, porta-voz do Partido Socialista (PS), descreveu o orçamento proposto como uma “amarga poção de austeridade”. E argumentou que isso contrariava o compromisso declarado do primeiro-ministro de chegar a um “compromisso”.
Na terça-feira, sindicatos de toda a França convocaram greve antes do anúncio que deverá acontecer esta quinta-feira, 1 de outubro, especialmente por causa do congelamento salarial para trabalhadores do setor público.
As eleições presidenciais marcadas para a primavera de 2027 só ajudam a aumentar ainda mais a pressão política sobre o atual governo.
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