Brasil/Eleições: Rio de Janeiro acolhe Lula de braços abertos num Carnaval fora de época
Uma multidão no Rio de Janeiro acolheu hoje de braços abertos o Presidente brasileiro, Lula da Silva, num autentico carnaval fora de época, a dois dias das eleições no Brasil.
Bandeirões, camisolas vermelhas e estandartes erguidos acima das cabeças davam à multidão o ar de um bloco de Carnaval, no percurso entre a Igreja da Candelária e a Cinelândia.
De pé num veículo, Lula acenava e levantava os braços, enquanto à sua volta se estendiam mãos e erguiam-se telemóveis para registar a passagem do Presidente, de apoiantes embalados por muita música e dança, alguns dos quais com a ‘ajuda’ da cerveja.
Entre as bandeiras vermelhas, o verde e amarelo da bandeira brasileira também encontrava lugar, pousado sobre o veículo que transportava o candidato à reeleição e ao quarto mandato à frente do país.
“Tem que ter alegria, ter a disposição para eleger Lula já no domingo”, contou à Lusa Mayra, uma estudante de 22 anos que empunhava um estandarte estampado com a palavra educação.
Poucos metros ao lado, Joyce Emily de Sousa Oliveira, de 26 anos, mostrava um cartaz: “Fiz medicina. A primeira formada na minha família. Obrigada Lula”.
“Vim de uma família pobre, só consegui entrar na faculdade por conta da política de cotas e a minha família conseguia comer por conta do Bolsa Família”, disse à Lula.
Joyce deixou, por isso, um apelo aos jovens: “não é por terem mudado de vida por conta da faculdade que devem deixar de votar na esquerda”.
A missão de Lula para hoje era, no entanto, outra: não se deixou embriagar pela juventude e animação do ‘carnaval’ e apelou ao voto aos mais velhos.
“Nesta sexta e nesse sábado nós temos que ter preocupação e conversar com o maior número de pessoas possíveis, sobretudo conversar com as pessoas com mais de 70 anos”, afirmou, lembrando que estes eleitores já não são obrigados a votar.
Para dar o exemplo, invocou a própria idade: “eu tenho 80 anos, espero viver até 100, até 120 e votar toda eleição”.
Entre acenos e apelos à mobilização, Lula apresentou a votação de domingo como uma escolha que ultrapassa a sua candidatura: “O que está em jogo não é a vitória de um homem, é a vitória de uma ideia, é a vitória de uma democracia”.
Voltou a atacar a família Bolsonaro, à qual pertence o seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro, e manifestou confiança numa vitória à primeira volta.
“Eu estou convencido que a gente vai ganhar as eleições no domingo”, declarou, antes de pedir dedicação aos militantes para eleger também os candidatos a senadores e a deputados estaduais e federais.
“Esta passeada é o começo de uma passeada que só vai terminar domingo às cinco horas da tarde, quando terminarem as eleições”, disse.
Tal como o seu maior oponente, Flávio Bolsonaro, Lula da Silva intensifica as ações de campanha nesta reta final no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, os três maiores círculos eleitorais do país.
Os dois vão ainda realizar hoje ações de campanha em Minas Gerais e, no sábado, em São Paulo, com Flávio ainda a deslocar-se nesse dia ao Rio de Janeiro, a sua terra natal.
Mais de 158 milhões de brasileiros são chamados às urnas no domingo para a primeira volta das presidenciais altamente acirradas entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro e para eleger governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais.
O Presidente Lula da Silva procura a reeleição aos 80 anos e o seu quarto mandato, enquanto o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tenta devolver o poder ao campo bolsonarista, quatro anos depois da derrota do pai contra o mesmo adversário que tenta agora derrotar.
Tal como há quatro anos, o Brasil chega às urnas profundamente polarizado e com o desfecho em aberto, como indicam as sondagens que apontam para um empate técnico entre os dois principais candidatos.
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