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Messi diz ‘adeus’ à Argentina, cumpridos todos os sonhos de ‘pibe’

Messi diz ‘adeus’ à Argentina, cumpridos todos os sonhos de ‘pibe’

No Monumental de Núñez, casa do River Plate, onde nunca perdeu, Messi vai cumprir, aos 39 anos, o último encontro com a camisola da seleção principal da Argentina, que envergará pela 208.ª e última vez, numa aventura iniciada em 17 de agosto de 2005.
 
Os bilhetes voaram em minutos e o que se espera é uma grande festa, na homenagem a um jogador que foi o melhor do mundo das duas últimas décadas e que se transformou, para muitos, no melhor da história, acima do compatriota Maradona ou do ‘rei’ Pelé.
Messi acaba adorado por quase todos os argentinos, e por muitos mais milhões de adeptos do futebol espalhados por todo o mundo, depois de um percurso na seleção que esteve longe de ser fácil e passou por imensas desilusões, a ameaçarem rotura precoce, até atingir a glória imensa, com o título Mundial em 2022.
Um ano antes, já tinha acabado, finalmente, com a ‘malapata’ na seleção principal, ao vencer no Maracanã, numa final com o Brasil (1-0) decidida pelo amigo e então jogador do Benfica Ángel Di María, a Copa América, em plena pandemia da covid-19.
Depois, em 2022, e antes da consagração no Qatar, ganhou a Finalíssima, com um 3-0 à Itália, noutra catedral (Wembley), e ainda conquistou em 2024, nos Estados Unidos, um quarto troféu, uma segunda Copa América, para juntar também ao Mundial de sub-20 de 2005 e à medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2008.
Até chegar à glória na seleção principal, sob o comando de Lionel Scaloni, Messi penou, no entanto, uma imensidão, com inúmeras deceções, com destaque para quatro finais perdidas, do Mundial de 2014 e da Copa América de 2007, 2015 e 2016.
Depois da quarta desilusão, chegou a anunciar, a quente, o adeus à seleção, mas, a frio, decidiu ficar e lutar, até não mais poder, por conquistar um troféu pela principal seleção argentina, numa altura em que já ganhara tudo pelo FC Barcelona.
Valeu, certamente, a pena ter sido resiliente e resistido à tentação de desistir, após tantas frustrações, de uma aventura que começou de forma estranha, com uma inusitada expulsão na estreia, num particular com a Hungria, tinha então 18 anos.
Em 17 de agosto de 2005, instantes após entrar em campo, e ao tentar-se desembaraçar de um jogador magiar, tocou-lhe com o braço e viu o vermelho direto, que o fez chegar em “lágrimas” ao balneário, como contou posteriormente.
O miúdo natural de Rosario, onde nasceu em 24 de junho de 1987, cumpriu, assim, de forma ‘agridoce’ o sonho de jogar pela Argentina, isto ao nível da seleção principal, pois, nesse ano de 2005, já tinha conquistado o Mundial de sub-20, nos Países Baixos, onde foi o melhor jogador da prova e o melhor marcador.
No ano seguinte, em 2006, estreou-se, com o ’19’, em Mundiais e marcou e assistiu logo no primeiro jogo, em 15 minutos, face à Sérvia e Montenegro (6-0), numa competição que acabou para a Argentina nos ‘quartos’, batida nos penáltis pela Alemanha.
Em 2007, com 20 anos, chegou à primeira final na seleção ‘maior’, na Copa América: na Venezuela, foi titular, com o ’18’, mas a Argentina, que era favorita, caiu por 3-0 face ao Brasil.
Já habitual titular na formação principal, foi aos Jogos Olímpicos de 2008 e, com o ’15’, conduziu a ‘albi-celeste’ à medalha de ouro, arrebatada na final com um 1-0 à Nigéria.
Faltava agora um troféu na seleção ‘maior’, mas a Argentina caiu prematuramente no Mundial de 2010 e na Copa América de 2011, para, em 2014, voltar a nova final: já com o ’10’, foi batido pela Alemanha (0-1, após prolongamento).
Foi a primeira de três finais em três anos e, depois de um desaire no tempo extra, seguiram-se dois nos penáltis, ambos face ao Chile, nas edição de 2015 e 2016 da Copa América, na segunda com Messi a errar um pontapé no desempate.
“São quatro finais que me toca perder, três seguidas. É uma lástima. Tentei, era o que mais desejava. É muito duro e o que pensei no balneário é que já está, que terminou para mim a seleção. É uma tristeza grande o que nos voltou a passar. Tocou-me errar o penálti, que era importantíssimo”, disse Messi, depois do segundo desaire com os chilenos.
O argentino deixou-se levar, momentaneamente, pela frustração, mas reconsiderou e tornou-se nesse mesmo ano o melhor marcador da seleção, ao chegar ao 57.º golo pela ‘albi-celeste’, superando os 56 de Gabriel Batistuta.
Para ganhar um título, ainda teve, porém, de penar, pois não aconteceu no Mundial de 2018, nem na Copa América de 2019, em que, após a eliminação nas ‘meias’ face ao anfitrião Brasil, acabou expulso no jogo do ‘bronze’, arrebatado face ao Chile.
Mas, a glória chegou: em 2021, em plena pandemia da covid-19, a Argentina, de Messi, venceu a Copa América, ao bater o Brasil por 1-0, no Maracanã, conseguindo, 16 anos após a estreia, o primeiro título pela seleção principal.
A imagem de Messi de joelhos a chorar no relvado, imediatamente após o apito final, com toda a equipa a juntar-se a ele, é história: o título há muito uma obsessão, estava conquistado.
Foi o início de um período dourado, que prosseguiu com a vitória na Finalíssima, antes da ‘cereja no topo do bolo’, a conquista, no final do ano, do Mundial, no Qatar, depois de um triunfo nos penáltis com a França, numa final em que Messi ‘bisou’.
A Argentina subiu ao topo do Mundo e foi daí que, dois anos depois, em 2024, voltou a vencer a Copa América, revalidando o título, nos Estados Unidos.
Este ano, a saga quase continuou, mas, depois de, aos 39 anos, conduzir a formação sul-americana a nova final, com oito golos e quatro assistências, foi a Espanha que prevaleceu, com um triunfo por 1-0, após prolongamento.
Um mês e 12 dias depois desse desaire, Messi anunciou, nas redes sociais, o adeus à seleção da Argentina, mas, ainda foi convencido a cumprir, em campo, em casa, um último capítulo, o que acontecerá na terça-feira.
Será, certamente, uma emocionante despedida, para aquele que é o recordista de jogos (207), golos (125) e assistências (66) da seleção argentina, pela qual sagrou campeão mundial, venceu duas edições da Copa América e ainda uma Finalíssima.

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