Fitch: IA ameaça ratings dos serviços, media e software. Bancos e seguradoras em posição mais resiliente
A Fitch Ratings alerta que a inteligência artificial (IA) representa um risco material de descidas de rating para emitentes de um conjunto restrito de setores num cenário adverso, mas a maioria dos emitentes e transações não deverá enfrentar alterações generalizadas. A conclusão consta do relatório “Artificial Intelligence Stress Test”, divulgado esta segunda-feira.
O exercício abrangeu 107 subsetores, agrupados em 21 setores de Empresas, Instituições Financeiras, Infraestruturas e Financiamento Estruturado, e mediu a exposição de crédito num horizonte de cinco anos.
Foram testados três cenários adversos, cada um com uma probabilidade estimada de 10% a 20%: disrupção, sobreinvestimento e imparidade de ativos. As pontuações vão de 0 a 100, e um valor igual ou superior a 40 pode implicar consequências negativas para o rating de uma entidade representativa do setor.
Cerca de 86% dos subsetores ficaram em 40 ou menos, o que indica impacto limitado ou nulo nos ratings. Catorze subsetores pontuaram 60 ou 80, o que sinaliza pressão mais notória sobre o crédito e possíveis descidas de um ou mais níveis. Concentram-se nos serviços, nos centros de dados e nas telecomunicações, media e tecnologia (TMT). Seguros, imobiliário, transportes e recursos naturais são os menos afetados.
Serviços e media na linha da frente
No cenário de disrupção, em que a IA corrói posições competitivas mais depressa do que os incumbentes se conseguem adaptar, os serviços são os mais expostos. Os serviços de outsourcing de processos de negócio e as produções subcontratadas têm as pontuações mais altas, 80. Corretores de seguros, serviços informáticos e cibersegurança e operações de TI ficam em 60. Outros subsetores estão mais protegidos pela regulação, pelas relações com clientes, pela integração empresarial ou pelos custos de mudança.
No cenário de sobreinvestimento, que pressupõe perda de confiança no retorno da IA e uma quebra abrupta do investimento dos hiperescaladores, o risco concentra-se nos semicondutores, na memória e armazenamento e nos centros de treino de IA, todos com 60, refere a Fitch. Os centros de treino em locais remotos e com inquilinos concentrados e de menor qualidade tendem a ser os mais vulneráveis. No financiamento estruturado, as ABS de GPU e computação de IA têm a pontuação mais alta, 50.
Instituições financeiras
Um número reduzido de subsetores financeiros pontua 40, nomeadamente os com maior exposição a clientes privados, como a banca privada e a gestão de fortunas, e os que têm risco de carteira de ativos, como as sociedades de desenvolvimento empresarial (BDC).
A banca de retalho também fica em 40, com o risco principal na disrupção do modelo de negócio.
A maioria das instituições financeiras situa-se entre 0 e 20, o que reflete a proteção da diversificação, da regulação, das almofadas de capital e da gestão de risco. As seguradoras de vida e não vida pontuam 20.
O cenário de imparidade de ativos, centrado em empréstimos e investimentos em entidades expostas à IA, é mais relevante para as BDC (sociedades de desenvolvimento empresarial) e tem também peso no financiamento estruturado.
Esta primeira fase identificou onde a exposição setorial é mais aguda. Mais tarde, a Fitch diz que fará uma análise ao nível de cada emitente de Empresas, Instituições Financeiras e Infraestruturas, aplicando o mesmo quadro de três cenários.
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