N’Gunu Tiny: “Os próximos 10 anos começam agora. O Jornal Económico está forte”
“Uma década é um marco importante. É uma oportunidade para olhar para o caminho percorrido, reconhecer aqueles que fizeram parte desta história e, sobretudo, pensar no que queremos construir para os próximos anos. O Jornal Económico nasceu num período de grande transformação económica e financeira”. As palavras são de N’Gunu Tiny, fundador do Grupo Media Nove, que abriu a conferência que assinala os 10 anos do Jornal Económico e que acontece na Alfândega do Porto.
A década que se seguiu confirmou a profundidade dessas transformações. O contexto económico, financeiro, tecnológico e geopolítico continuou a mudar, trazendo novos desafios para as empresas, para os mercados e para os próprios meios de comunicação social. “Desde então, atravessámos novas crises, uma pandemia, mudanças profundas nos mercados e na geopolítica e uma transformação tecnológica que alterou profundamente a forma como trabalhamos, comunicamos e consumimos informação. Desde o início, tivemos uma convicção clara. Era necessário um jornal capaz de acompanhar uma economia em mudança, oferecendo informação especializada sobre a economia, empresas, mercados e finanças, combinando informação com análise e ajudando os leitores a compreender melhor o mundo à sua volta”, afirma o fundador do Grupo Media Nove.
Essa missão foi cumprida num sector que também sofreu uma transformação profunda. A digitalização alterou os hábitos dos leitores, os modelos de distribuição e a forma como as organizações jornalísticas se relacionam com o seu público. “Ao longo destes 10 anos, também o sector dos media mudou profundamente. O Jornal Económico acompanhou essa transformação, reforçando a sua presença digital, desenvolvendo novos formatos e chegando aos leitores através de diferentes plataformas. Mas há algo que não mudou: a importância da confiança”, acrescenta N’Gunu Tiny.
A confiança tornou-se, aliás, um dos principais ativos do jornalismo numa época marcada pela abundância de informação. “Num mundo onde existe cada vez mais informação, o verdadeiro valor do jornalismo está na capacidade de selecionar, verificar, contextualizar e explicar. A responsabilidade de um jornal não é apenas dizer o que aconteceu, mas ajudar a compreender porque aconteceu e quais são as suas consequências. É esse compromisso com um jornalismo credível, rigoroso e útil que permanece no centro do Jornal Económico”, sublinha o gestor.
É também possível olhar para esta primeira década através dos valores que orientaram o projeto e que continuam a definir a sua identidade. “Se tivéssemos que resumir estes 10 anos em 10 palavras, escolheríamos estas: Visão, Coragem, Jornalismo, Excelência, Lusofonia, Sustentabilidade, Estabilidade, Liderança, Impacto e Futuro. Escolhi apenas dois para falar um pouco. O primeiro, Estabilidade”, diz. A estabilidade assume uma importância especial num sector sujeito a mudanças permanentes. Representa a capacidade de manter uma identidade editorial, uma estratégia e uma estrutura de gestão capazes de assegurar continuidade e confiança.
“O Jornal Económico marcou-se pela sua estabilidade editorial, estabilidade acionista e estabilidade de gestão. A segunda palavra que eu gostaria de destacar é sustentabilidade. Desde o início que nós dissemos que não basta ter um bom jornal. Não basta ter um jornal rigoroso. Não basta fazer bom jornalismo. O jornal também teria que ser sustentável do ponto de vista financeiro. Este foi sempre o nosso objetivo e hoje podemos dizer que o jornal económico é financeiramente sustentável”, explica.
A sustentabilidade financeira tem, neste contexto, uma dimensão que ultrapassa a gestão empresarial. “E isto é verdadeiramente importante porque para haver rigor e sobretudo para haver independência jornalística é preciso que o jornal também tenha uma sustentabilidade financeira. É preciso que o jornal não dependa de ninguém do ponto de vista financeiro, incluindo dos seus acionistas ou do seu acionista”, afirma N’Gunu Tiny.
É a partir dessa base de estabilidade e sustentabilidade que o Jornal Económico entra agora numa nova etapa. “O sector dos media enfrenta desafios económicos, tecnológicos e editoriais cada vez maiores. Vivemos num mundo mais complexo onde a geopolítica influência diretamente os contextos económicos e sociais e onde a velocidade da informação tornou mais importante a capacidade de distinguir o essencial do acessório. O jornal económico celebra a sua década na era do conhecimento mostrando resiliência e ao mesmo tempo uma capacidade enorme de se reinventar sem perder os seus princípios jornalísticos fundamentais”.
Entre os grandes desafios desta nova etapa está inevitavelmente a inteligência artificial. “Nesta época é inevitável falar da inteligência artificial e do seu impacto profundo na sociedade. Aliás, é importante e urgente repensar a relevância e a sustentabilidade dos media numa era em que as plataformas digitais tendem a ser a principal fonte de informação sem a responsabilidade deontológica de um órgão de comunicação social. Mas existe uma fronteira que não pode ser ultrapassada”, avisa o fundador do Grupo Media Nove.
Essa fronteira está relacionada com a responsabilidade editorial. A tecnologia poderá apoiar e transformar o trabalho jornalístico, mas não poderá substituir os princípios que garantem a qualidade e a credibilidade da informação. “A tecnologia pode apoiar o jornalismo, mas a responsabilidade editorial, a verificação e julgamento continuam a pertencer aos profissionais que fazem a profissão. O leitor também mudou. Hoje a informação chega através de texto, vídeo, áudio, newsletters, podcasts e plataformas digitais”, revela o gestor.
A resposta a esta mudança passa por acompanhar a evolução dos hábitos dos leitores, estando presente em diferentes formatos e plataformas, sem abdicar dos princípios que definem a identidade do Jornal Económico. “O Jornal Económico continuará a acompanhar esta evolução preservando aquilo que não pode mudar: qualidade, rigor e credibilidade. Há também uma dimensão que permanece essencial, a capacidade de construir pontes”, diz N’Gunu Tiny.
Essa capacidade de construir pontes está no centro da própria missão de um jornal económico: aproximar pessoas, empresas, investidores, instituições e mercados e criar espaço para uma discussão informada sobre os grandes temas económicos e sociais. “O Jornal Económico é sem dúvida uma marca que conecta mercados e pessoas. Um jornal económico não deve limitar-se a acompanhar a realidade. Deve contribuir para a discussão dos grandes temas que afetam empresários, investidores, instituições, bem como a sociedade”, afirma o fundador do Grupo Media Nove.
É também por isso que o local escolhido para esta celebração assume um significado particular. O Porto representa uma história de comércio, empreendedorismo, abertura ao exterior e ligação a diferentes mercados. “E é precisamente aqui que o Porto ganha um significado especial. Esta é uma cidade cuja história está profundamente ligada ao comércio, ao empreendedorismo e à relação com outros mercados. No Grupo Media Nove, a língua portuguesa é também um espaço de negócios, conhecimento e criação de valor. É nessa perspetiva que se enquadra o Jornal Económico, a Forbes Portugal e a Forbes África Lusófona. Projetos que permitem aproximar Portugal, Angola, África, Brasil e as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, criando novas ligações entre empresas, investidores, instituições e mercados. Esta é a missão do Grupo Media Nove”, acrescenta.
Esta visão de proximidade entre mercados e comunidades está também na base dos próximos investimentos do grupo. A nova etapa será marcada pela consolidação daquilo que foi construído, mas também pela criação de novos canais e formatos de comunicação. “A próxima etapa será marcada pela consolidação, pelo investimento, pela inovação e pela capacidade de acompanhar transformações do sector sem perder os princípios que nos trouxeram até aqui. Nas próximas semanas, nós iremos apresentar o nosso novo website e também a nossa app. E, finalmente, no final deste ano, no início do próximo, estaremos também em condições de apresentar o nosso programa de rádio e as nossas rádios que vão incorporar e serem parceiras do Jornal Económico”, revela o gestor
São iniciativas que reforçam a presença da marca e ampliam a capacidade de chegar a diferentes públicos. “O Jornal Económico tem uma marca, uma história e uma responsabilidade acrescida. A sua força continuará pendente, a capacidade de fazer um jornalismo relevante, credível, um jornalismo capaz de informar, explicar e contribuir para um exercício de cidadania responsável. A verdadeira medida destes 10 anos não será apenas aquilo que foi construído até hoje, será aquilo que conseguimos construir a partir de agora, juntos. Os próximos 10 anos começam agora. O Jornal Económico está forte”, conclui o fundador do Grupo Media Nove.
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