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Álvaro Santos Pereira critica Governo, autarquias e agentes privados: “Não estamos a ter a urgência necessária” na habitação

Álvaro Santos Pereira critica Governo, autarquias e agentes privados: “Não estamos a ter a urgência necessária” na habitação

Tendo em conta a “situação bastante dramática” na habitação, em que “faltam pelo menos 300 mil casas no país”, o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, defende que a subida do investimento no setor, de 2% ao ano, não é suficiente: “Não estamos a ter a urgência necessária para confrontarmos a situação, seja ao nível do investimento público, seja ao nível do investimento privado”, afirmou na apresentação do Boletim Económico de outubro esta quarta-feira, 7 de outubro, no Museu do Dinheiro, em Lisboa.
“É verdade que melhorámos um pouco no licenciamento, é verdade que estamos melhor ao nível do investimento, mas não estamos a construir o suficiente para enfrentarmos o problema que temos em mãos”, disse Santos Pereira aos jornalistas. “Para baixar o ritmo de subida dos preços da habitação é necessária uma intervenção mais decisiva”.
O governador recordou ainda que o investimento em habitação pública social é “um dos mais baixos de toda a OCDE” e apelou à intervenção de todos: “Eu gostaria que quer o Governo, quer as autarquias, quer o setor privado, percebessem a urgência e que atuassem”.
Álvaro Santos Pereira diz ainda que se as autarquias não têm dinheiro do Plano de Recuperação e Resiliência, “tem de ser com o próprio dinheiro”.
“Enquanto não entendermos esta urgência social, enquanto sociedade, não vamos resolver o problema”, concluiu.
As declarações de Álvaro Santos Pereira ocorrem no dia em que o Banco de Portugal (BdP) reviu em alta as perspetivas de crescimento para este ano e 2027. O supervisor acredita que o PIB vai subir 2,3% este ano, em vez de 1,8%, e 1,8% no próximo ano, mais do que os 1,6% previstos no boletim de julho.
Álvaro Santos Pereira também admite que possa haver excedente orçamental. “Não ficaríamos surpreendidos”, disse na conferência de imprensa. O efeito é mecânico, porque “se a economia cresce mais, há mais receita fiscal” — que Álvaro Santos Pereira considera estar “muitíssimo mais elevada”.

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