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XTB: Aversão ao risco e incerteza orçamental em França pressionam os mercados europeus

XTB: Aversão ao risco e incerteza orçamental em França pressionam os mercados europeus

A sessão desta quarta-feira, 7 de outubro de 2026, está a ser marcada por um aumento da aversão ao risco nos mercados financeiros. O euro encontra-se sob pressão, enfraquecendo face a todas as moedas do G10, enquanto os juros das obrigações soberanas continuam a subir e a forte valorização dos preços do petróleo pesa sobre as bolsas europeias, que negoceiam maioritariamente em terreno negativo.
Em França, o diferencial entre os juros das obrigações do Tesouro a 10 anos e os seus equivalentes alemães voltou a alargar-se, aproximando-se de níveis observados pela última vez em 2011. Apesar de a rendibilidade da dívida francesa, situada em torno de 4,9%, permanecer abaixo da dos títulos do Tesouro norte-americano, acima de 5,3%, a evolução recente está a gerar crescente preocupação entre os investidores.
A inquietação dos mercados não resulta tanto do nível da dívida pública francesa, que passou de pouco mais de 115% do PIB em 2025 para cerca de 119% em 2026, mas sobretudo da falta de uma estratégia credível para estabilizar as contas públicas. O défice do setor público deverá atingir 5,4% do PIB este ano, acima da meta inicial de 4,6%, num contexto em que a economia continua praticamente estagnada, com o crescimento económico projetado em apenas 0,5%.
Sem poder contar com a expansão da atividade económica para reduzir o desequilíbrio orçamental, o Governo francês vê-se obrigado a avançar com medidas de contenção da despesa politicamente sensíveis. Nesse sentido, apresentou, a 1 de outubro, o projeto de orçamento para 2027, que prevê uma redução modesta do défice para 5% do PIB, sobretudo através do congelamento nominal da despesa pública em várias áreas, excetuando a defesa e alguns setores específicos.
Ainda assim, os investidores mantêm-se céticos quanto à eficácia deste plano. As previsões de crescimento de 1% para 2027 são consideradas ambiciosas e o maior risco reside no facto de o orçamento ainda necessitar de aprovação parlamentar, num cenário em que o Governo não dispõe de maioria. Com as eleições presidenciais agendadas para 2027, aumenta também a probabilidade de os cortes previstos serem suavizados durante o processo político.
Nos mercados cambiais, o euro prolonga as perdas face ao dólar. O par EUR/USD recua cerca de 0,6% nesta sessão, tendo já quebrado a fasquia de 1,12.
Nas bolsas europeias, o aumento dos juros da dívida e as expectativas de uma maior pressão para que o Banco Central Europeu adote uma postura menos restritiva estão a penalizar sobretudo os setores mais sensíveis às taxas de juro. No Euro Stoxx 50, as empresas de semicondutores, os fabricantes alemães de automóveis de gama alta e os bancos destacam-se entre os títulos com pior desempenho na sessão.

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