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Representante de Taiwan em Lisboa quer expandir relações com Portugal

Representante de Taiwan em Lisboa quer expandir relações com Portugal

 Taiwan quer expandir as relações bilaterais com Portugal além dos laços económicos, em áreas como a ciência e a investigação, disse a representante do território em entrevista à agência Lusa.
Pouco mais de um ano após ter tomado posse como representante do Centro Cultural e Económico de Taipé em Lisboa, Grace Ya-kuang Chang disse à Lusa que o seu principal objetivo em Portugal passa por desbloquear o “potencial considerável ainda por explorar” nas relações bilaterais com a “Ilha Formosa”, que celebra o seu 115.º Dia Nacional no próximo sábado 10 de setembro.
“Desde a minha chegada, penso que um dos meus principais objetivos é expandir as relações bilaterais, não limitando-as apenas aos laços económicos”, sublinhou.
As áreas a potenciar, segundo Grace Chang, são a ciência e a investigação, o intercâmbio entre povos e de talentos, a educação e a interação entre as comunidades locais.
Para alcançar estes objetivos, a representante defendeu uma “diplomacia de base” para um “maior entendimento” entre Taipé e Lisboa.
Grace Chang defendeu que entre Taiwan e Portugal “existem muitas semelhanças” em termos de valores e de proximidade ao mar.
“Os nossos dois países são nações marítimas. Temos uma ligação muito forte ao mar e a sociedades abertas. Além disso, temos a força e a ambição necessárias para enfrentar um mundo mais desafiante”, argumentou.
No âmbito desta visão partilhada sobre o mar, a representante destacou a colaboração entre o Instituto Nacional de Investigação de Taiwan e o INESCTEC, um centro de investigação dedicado à investigação e engenharia do oceano, durante um evento em Bordéus.
“Começaram a explorar possibilidades de colaboração e cooperação em estudos oceânicos, tais como robótica marinha e sistemas autónomos, IA [inteligência artificial], bem como inspeção submarina e inspeção de infraestruturas”, explicou, acrescentando que deseja que este seja um dos exemplos de um aprofundamento das relações nesta área.
Embora o mar seja um claro ponto de contacto, Grace Chang sublinhou que as principais semelhanças entre Lisboa e Taipé são os valores democráticos.
“Todos acreditamos numa sociedade aberta, tal como acabei de referir, e valorizamos a democracia, valorizamos a liberdade de expressão e respeitamos o Estado de direito. Penso que estas semelhanças dizem muito”, continuou a representante.
A China considera Taiwan uma “parte inalienável” do seu território e não exclui o recurso à força para assumir o controlo da ilha, posição rejeitada pelas autoridades taiwanesas, que sustentam que Taiwan já é, ‘de facto’, um país soberano e independente.

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