CEO do UBS alerta para necessidade de “medidas duras” perante agravamento da crise da dívida em França
O Presidente Executivo do UBS, Sergio Ermotti, alertou na passada terça-feira 6 de setembro para a necessidade urgente de implementar “medidas duras” para conter a espiral da crise da dívida francesa. Em declarações à CNBC, o responsável do gigante bancário suíço sublinhou que “pequenas mudanças incrementais” não serão suficientes para restaurar a credibilidade fiscal do país.
Segundo o líder do banco suíço, a crise da dívida soberana de França está ao mesmo nível do cenário vivido por países como Itália, Grécia e Portugal em 2011. Ermotti reforçou que, para remediar esta situação, não bastará a França aplicar meros ajustes pontuais, mas sim medidas orçamentais drásticas. O sinal deixado pelo sistema financeiro é claro: chegou a hora de a economia francesa também ter de enfrentar e engolir o “cálice da austeridade”.
Durante a sua intervenção no programa “Squawk On The Street”, o banqueiro comparou a instabilidade nos mercados de dívida europeus com o período crítico da zona euro há mais de uma década. Contudo, deixou um aviso adicional: devido à elevada dimensão da economia francesa, os problemas atuais podem revelar-se substancialmente mais difíceis e complexos de resolver desta vez.
“Passámos por situações semelhantes nos últimos 10 a 15 anos em Espanha, Itália, Grécia e Portugal”, recordou Ermotti, destacando que os países afetados no passado são hoje “os de melhor desempenho na Europa”. Para o executivo, as nações europeias que atualmente enfrentam um aperto orçamental terão de adotar intervenções equivalentes para “restaurar um caminho credível para o crescimento”. Questionado sobre se essa recuperação exigirá rigor financeiro, respondeu categoricamente: “Tem de passar por medidas duras… pequenas mudanças incrementais não vão chegar para resolver uma grande pilha de dívida”.
As declarações do responsável do UBS surgem num momento de forte pressão sobre as obrigações do Tesouro francês (OATs). O rendimento da dívida francesa a 10 anos registou subidas acentuadas nas últimas semanas, atingindo picos perto dos 4,91% antes de recuar para os 4,76%. Pela primeira vez em vários anos, os custos de endividamento de França superaram os de países como a Grécia e Itália.
O aumento galopante da dívida pública e a incerteza política que antecede as eleições presidenciais intensificaram os receios dos mercados. Marine Le Pen, candidata à Presidência da República do espectro político mais direita, já prometeu cortes maciços nos gastos públicos para controlar as contas, alertando inclusive para o risco de o país entrar em incumprimento (default).
De acordo com Mitch Reznick, responsável de crédito internacional na Federated Hermes, a França tornou-se o principal foco de preocupação no mercado europeu de obrigações, com os seus títulos a serem cotados “menos como centro da Europa e mais como periferia”.
A fuga de capital dos investidores das OATs francesas em direção à segurança das obrigações alemãs (Bunds) fez disparar o diferencial (spread) entre os dois títulos para cima dos 140 pontos base. Embora o Banco Central Europeu (BCE) se mantenha atualmente à margem, analistas indicam que a instituição liderada por Christine Lagarde poderá alterar o tom do seu discurso caso o prémio de risco continue a alargar.
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