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TAP: Air France e Lufthansa esperam decisão do Governo na próxima semana

TAP: Air France e Lufthansa esperam decisão do Governo na próxima semana

Os grupos de aviação Air France-KLM e Lufthansa disseram esta quinta-feira, 8 de outubro, esperar uma decisão na próxima semana do Governo português sobre a privatização da transportadora aérea nacional TAP, escusando-se a revelar o conteúdo das propostas.
“Estamos a aguardar uma decisão do Estado português e deveremos conhecê-la na próxima semana”, disse o presidente executivo (CEO) do grupo Air France-KLM, Benjamin Smith, numa conferência de imprensa em Bruxelas das cinco maiores companhias aéreas europeias, integradas na associação Airlines for Europe (A4E).
Também presente na ocasião, o presidente executivo do grupo Lufthansa, Carsten Spohr, escusou-se a responder à questão da Lusa sobre o conteúdo das propostas ou os prazos, limitando-se a assinalar a rivalidade entre os dois grupos ao abraçar Benjamin Smith.
Na semana passada, a Air France-KLM e a Lufthansa apresentaram propostas vinculativas finais e melhoradas para a aquisição de 44,9% do capital da TAP, cabendo agora a decisão ao Governo português.
A operação prevê ainda a reserva de 5% do capital aos trabalhadores, ficando o restante nas mãos do Estado, atual acionista maioritário.
A privatização decorre num momento em que as companhias aéreas europeias alertam para a pressão crescente sobre a sua competitividade, nomeadamente devido aos custos energéticos, às taxas e encargos aeroportuários e à regulamentação europeia, enquanto defendem maior capacidade aeroportuária para acompanhar o crescimento da procura.
Nesta conferência sob o tema “A competitividade das companhias aéreas da UE num mundo em rápida mudança”, o presidente executivo da Ryanair, Michael O’Leary criticou também o congestionamento do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa.
“Não existem realmente limitações de capacidade no Aeroporto de Lisboa que não pudessem ser resolvidas através de uma expansão razoável das instalações existentes do terminal”, sugeriu.
De acordo com Michael O’Leary, “as limitações de capacidade em Lisboa são inteiramente artificiais e não resultam de uma limitação ao nível da pista”, já que “a capacidade poderia ser facilmente aumentada, sobretudo tendo em conta que a capacidade dos terminais está a aumentar significativamente”.
“Há menos passageiros a transportar bagagem, os tempos de espera no check-in estão a diminuir e estamos cada vez mais interessados na utilização de ‘slots’ [faixas horárias para descolagem e aterragem], pelo que a capacidade poderia aumentar significativamente”, reforçou.
O responsável irlandês considerou que “limitar a capacidade no Aeroporto da Portela tem sido uma forma de o Governo português proteger a TAP da concorrência, nomeadamente da concorrência efetiva das companhias aéreas de tarifas baixas, como a Ryanair e a easyJet, que não conseguem expandir a sua operação na Portela porque não conseguem obter ‘slots’ adicionais”.
Também falando na conferência de imprensa sobre o congestionamento do Aeroporto Humberto Delgado, Benjamin Smith da Air France-KLM comparou: “Retomando o ponto sobre a capacidade do aeroporto de Lisboa, que está artificialmente limitada, nós temos o mesmo problema em Paris Orly”.
Os dois aeroportos partilham semelhanças devido a restrições ambientais, limites de movimentos e inserção em zonas urbanas densas, mas com regras de gestão diferentes.
Já a diretora-geral da Associação das Companhias Aéreas Europeias (Airlines for Europe, A4E), Ourania Georgoutsakou defendeu “uma revisão da diretiva relativa às taxas aeroportuárias”, para garantir que as receitas são utilizadas para aumentar a capacidade e melhorar a eficiência dos aeroportos.
A responsável lembrou que os ‘slots’ já estão utilizados a níveis muito elevados, entre 95% e 97% nos aeroportos mais congestionados, pelo que uma reforma do sistema de ‘slots’, por si só, não criará nova capacidade.
A A4E representa as 16 maiores companhias aéreas da Europa, incluindo a portuguesa TAP.

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