WRC 2026: o ano em que três Toyota e treze ralis couberam em seis pontos
Em Itália, na ilha da sardenha, a época de 2026 decidiu-se por seis pontos entre o primeiro e o terceiro classificado. Elfyn Evans terminou com 243 pontos, Oliver Solberg com 238 e Sami Pajari com 237. Treze ralis, três pilotos da mesma equipa e um campeonato que mudou de forma várias vezes antes de a Sardenha lhe dar um desfecho que ninguém mais esquecerá.
Monte-Carlo, a promessa de um estreanteTudo começou com um golpe de teatro. Solberg e Elliott Edmondson venceram o Rali de Monte-Carlo, na estreia como equipa oficial Toyota Gazoo Racing a tempo inteiro no Rally1. Evans foi segundo, e a Toyota ocupou todo o pódio.Três semanas depois, na Suécia, Evans respondeu com um 1-2-3-4 da Toyota, à frente de Takamoto Katsuta, Pajari e Solberg, e assumiu a liderança do campeonato.
Uma primavera de sobressaltosO Quénia trouxe problemas a Evans e a Solberg. Katsuta venceu pela primeira vez no Mundial e Pajari foi terceiro. Na Croácia, Evans e Solberg saíram de estrada na sexta-feira. Pajari manteve-se na luta e subiu ao segundo lugar quando Thierry Neuville se despistou, na liderança, na Power Stage. Katsuta saiu de lá como líder, sete pontos à frente de Evans.
Nas Canárias, Sébastien Ogier venceu após um duelo cerrado com Solberg, que se despistou com duas especiais por disputar. Evans e Pajari fecharam o pódio, e o galês voltou à liderança, que já não largaria. Em Portugal, Solberg foi segundo e Evans terceiro, depois de furos tardios terem afetado Ogier e Pajari. No Japão, Evans venceu pela segunda vez e chegou a meio da época com 151 pontos, 20 à frente de Katsuta. Os cinco primeiros do campeonato eram todos da Toyota.
O Verão de PajariA segunda metade do ano mudou o rumo da luta. Na Estónia, Pajari liderou de uma ponta à outra, venceu 12 especiais e bateu Solberg por 19,5 segundos, na primeira vitória no Mundial. Duas semanas depois, repetiu em casa, na Finlândia. No Paraguai, com Marko Salminen, completou a terceira vitória consecutiva. Foi a primeira dupla da história do WRC cujas três primeiras vitórias foram seguidas.
Evans admitiu ter sido demasiado conservador no Paraguai, onde foi quarto. Solberg viu o motor parar em travagem quando liderava, na sexta-feira, e ganhou a Wolf Power Stage. Evans seguia com 216 pontos, contra 196 de Pajari, que partira 30 atrás, e 175 de Solberg.
O Chile e o cancelamento que mudou tudoNo Chile, Solberg liderou grande parte do rali, resistiu a Evans e a Ogier e venceu pela segunda vez. Evans fazia boa figura e liderava a Super Sunday, mas um pneu dianteiro esquerdo danificado na penúltima especial obrigou-o a parar para trocar a roda, e caiu para quinto. O campeonato ficou com Evans em 230 pontos, Pajari em 213 e Solberg em 209.
Depois veio a decisão que pôs tudo em jogo. O cancelamento do Rali da Arábia Saudita fez da Sardenha a 13.ª e última prova. Evans chegou com 17 pontos de vantagem sobre Pajari e 21 sobre Solberg. Com 35 pontos em disputa, os três podiam ser campeões.
Sardenha: de 21 pontos a quatroSolberg atacou desde o início. Venceu o espetáculo de quinta-feira em Ittiri e, apesar de danos nos pneus na sexta-feira de manhã, chegou ao fim da primeira etapa em terceiro. Evans, a abrir estrada, ficou em sexto, com Pajari entre os dois rivais.
Sábado de manhã mudou a história. Solberg ganhou a SS9 e a SS10, passou Neuville e assumiu a liderança do rali. Com Evans ainda em sexto, a vantagem provisória do galês caiu de 21 para apenas quatro pontos. À noite, Solberg liderava, Pajari era terceiro e Evans quinto. A tabela provisória dava 240 a Evans, 234 a Solberg e 228 a Pajari, com 10 pontos de domingo ainda por atribuir.
No domingo, Evans furou na SS16 e teve de parar para mudar a roda. Manteve o quinto lugar, mas perdeu qualquer hipótese de pontuar na Super Sunday. O título ficou nas mãos da Wolf Power Stage. Evans somou três pontos. Solberg partiu sabendo que tinha de bater o tempo do colega.
Duas curvasSolberg estava à frente nos parciais e ainda na rota certa quando se aproximava da meta. Despistou-se a duas curvas do fim. Recuperou e chegou à linha, o que lhe garantiu a vitória no rali, mas perdeu os pontos da Power Stage de que precisava. Evans e Scott Martin eram campeões do mundo.
O que ficaSolberg fechou a primeira época completa no Rally1 como vice-campeão e vencedor de três ralis. Pajari terminou a um ponto, depois de uma sequência de vitórias que transformou o seu ano. Evans liderou ininterruptamente desde as Canárias e viu a regularidade, que tantas vezes o deixara perto do título, render finalmente o troféu.
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