“Ronaldo não consegue aceitar que a equipa possa ser melhor sem ele”
O tema de Cristiano Ronaldo não vai a lado nenhum e continua a dar que falar em Inglaterra (e não só). Esta sexta-feira, a imprensa inglesa abordou o facto de o capitão da seleção nacional portuguesa ser mais talhado para desportos… individuais.
“O problema de Cristiano Ronaldo era que isto acabaria sempre assim. Ele não consegue envelhecer com dignidade e aceitar que o seu tempo como protagonista chegou ao fim. E, por causa disso, a única conclusão a que posso chegar é que ele nunca deveria ter escolhido ser futebolista, para começar”, começou por atirar a comentadora da talkSPORT Angelina Kelly.
“A velhice acabaria sempre por alcançá-lo, e ele terá de aceitar, mais cedo ou mais tarde, que já não é o melhor jogador do mundo, e terá de aceitar o facto de que, na verdade, é mais um obstáculo do que uma ajuda para a sua equipa”, continuou.
“Mas o problema é que o Ronaldo não consegue aceitar isso, não consegue aceitar não ser o melhor, não consegue aceitar que uma equipa de futebol possa ser melhor sem ele e que já não seja necessário da mesma forma que costumava ser”, justificou a comentadora britânica.
Angelina Kelly continuou a refletir sobre o tema do momento, ao atirar que Cristiano Ronaldo “precisa de sentir que é o melhor e maior de sempre” no futebol, ainda que não funcione dessa forma.
“Ronaldo precisa de sentir que é, objetivamente, o melhor e o maior de sempre. Mas o futebol não funciona assim. É um desporto de equipa com imensos jogadores diferentes, exibições brilhantes. Não é como ser um velocista, em que se pode bater recordes mundiais que mais ninguém consegue alcançar e, quando se perde, a culpa é toda tua”, apontou.
A comentadora britânica não se escondeu e referiu ainda que o futebol permitia que o avançado luso se ‘escapasse’ entre árbitros, treinadores ou “quem quer que seja”, afirmando mesmo que “o futebol não o tem realizado”.
“No futebol, o Ronaldo pode culpar outras pessoas, atribuir a culpa aos treinadores, às equipas, aos árbitros, a quem quer que seja. Em última análise, o futebol não o tem realizado. Ele dedicou-se tanto a este desporto, mas não obteve dele o que precisava. Porque, se estivesse realizado, não creio que se comportasse assim, a fazer birras só porque um treinador mudou de ideias”, indicou.
“Ele tem sido bem-sucedido, tem imensos fãs, tem imenso dinheiro, mas o que ele realmente quer é algo que nunca vai conseguir, a menos que a fonte da juventude exista mesmo. Mas talvez ele devesse ter canalizado o seu talento e profissionalismo para um desporto diferente, talvez para uma vocação diferente. Porque este nunca o satisfez nem nunca o irá satisfazer”, constatou.
Fim de Cristiano Ronaldo comparado ao de… Lionel Messi
Depois do seu abandono da seleção nacional e comunicado que se seguiu para justificar as suas ações levaram a que o mundo do futebol comparasse este ‘fim’ de Cristiano Ronaldo, com o de Lionel Messi, na sua seleção da Argentina.
“Comparem o potencial fim da sua carreira internacional com o de Lionel Messi. Uma despedida maravilhosa e emocionante, um estádio lotado na Argentina, nem um olho seco na plateia, ele acenou em despedida… esse é um homem que se realizou na carreira e sabe quando é hora de parar”, comparou Angelina Kelly.
“Muitos adeptos de futebol adoram que Cristiano Ronaldo tenha escolhido este desporto como carreira, mas para o Ronaldo enquanto pessoa, a perspetiva sobre a carreira significava que esta iria sempre terminar mal, e talvez ele devesse ter encontrado uma vocação diferente que o pudesse ter tornado menos famoso, menos bem-sucedido, talvez sem Bolas de Ouro, menos rico. Mas talvez, apenas talvez, eu ache que ele teria sido mais feliz”, concluiu.
“Mais do que julgar Cristiano Ronaldo, julgo quem está à sua volta”
Andy Brassell mostrou-se surpreendido com a validação da carta pública de Cristiano Ronaldo pela sua equipa de comunicação, a poucas horas de Messi se despedir da seleção argentina.
Francisco Amaral Santos | 14:13 – 09/10/2026
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