F1, Mercedes: O fim muito aguardado da era “efeito solo”
A Mercedes terminou esta era regulamentar no segundo lugar do campeonato de construtores, com 469 pontos, atrás da McLaren. Foi uma época à imagem de todas as que vimos na era “efeito solo” da Mercedes, longe dos prodigiosos feitos de 2014 a 2021.
A Mercedes nunca encontrou o truque para ser verdadeiramente competitiva com este conjunto de regulamentos. Apesar de manter uma das melhores unidades motrizes, o chassis e especialmente a aerodinâmica nunca permitiram chegar ao nível da Red Bull e da McLaren. O conceito “zeropod” nunca funcionou apesar da insistência da equipa e abordagem mais convencional usada posteriormente também não aproximou a equipa do título. Restou lutar por vitórias e esperar deslizes dos adversários.
Depois de quatro épocas a procura do norte, a equipa espera encontrar em 2026 a fórmula que permita recuperar o sucesso de um passado não tão longínquo quanto possa parecer. Aproxima-se uma nova revolução na F1, do mesmo nível ou até maior do que a de 2014 e a Mercedes pode usar as lições do passado para conseguir superar-se. O que se ouve relativamente ao desempenho da nova unidade motriz é francamente animador, mas para já não passam de suposições.
O W16 nasceu como uma evolução trabalhada do conceito anterior, com a Mercedes a admitir que tinha “identificado uma fraqueza chave” no carro de 2024 e a focar o desenvolvimento em melhorar o comportamento em curvas lentas e interligadas, bem como a previsibilidade nas transições de carga. O novo pacote aerodinâmico – revendo asa dianteira, filosofia de sidepods e fundo – deu à equipa um carro bem mais consistente em curvas de média e alta velocidade e bastante forte em ritmo de corrida, especialmente na segunda metade da época. Ao contrário dos anos imediatamente anteriores, a Mercedes afirmou sentir finalmente que tinha uma base sólida sobre a qual podia construir, em vez de ter de “recomeçar” todos os anos.
Em termos de pontos fortes, o W16 destacou‑se pelo equilíbrio global e pela capacidade de manter bom ritmo em stint longo, sobretudo em circuitos de alta e média velocidade. A gestão de pneus melhorou relativamente à geração anterior, permitindo estratégias competitivas sem as quebras súbitas de ritmo que penalizavam o W15 em certas corridas. No entanto, persistiram fraquezas claras: a própria equipa reconheceu que, embora tenha mitigado o problema, continuou a perder tempo nas curvas lentas e sequências interligadas, exatamente o tipo de secção que já tinha sido apontada como calcanhar de Aquiles em 2024. Além disso, o W16 ainda revelou uma janela de funcionamento exigente – sensível a altura ao solo e a pequenos desvios de afinação – o que fez com que alguns fins de semana, sobretudo no início da época, fossem mais fracos em qualificação até a equipa encontrar o acerto ideal. Mesmo com o salto competitivo, a Mercedes ficou “consistentemente um passo atrás” da McLaren em performance pura, especialmente em pistas de alta energia, o que explica a diferença de pontos no topo da tabela.
Nota da equipa: 8/10
George Russell – 4.º no Mundial (319 pontos)
2025 assumiu contornos de grande importância para George Russell, que assumiu claramente o papel de líder desportivo da Mercedes em 2025, terminando o ano em 4.º lugar com 319 pontos, como o primeiro piloto da equipa na classificação. Na primeira época sem Lewis Hamilton, não se pode dizer que tenha faltado liderança ao volante. Russell encaixou perfeitamente no papel de líder e terá protagonizado a sua época mais sólida na F1, quer pelos resultados, quer pela consistência, com 9 pódios. Em qualificação, manteve o nível muito elevado que já o caracterizava, colocando o Mercedes em posições estratégicas para explorar o bom ritmo de corrida do carro. A consistência – poucos erros próprios, boa leitura de momentos de corrida e capacidade de gerir pneus em stint longo – foi determinante para o segundo lugar da Mercedes nos Construtores, mesmo sem ter um carro dominante. Viu o seu lugar em risco para 2026, com a aproximação da Mercedes a Max Verstappen, mas não perdeu a compostura nem o seu ritmo pareceu beliscado com a instabilidade. Mereceu inteiramente a renovação e é dos valores mais sólidos da grelha na atualidade.
Nota: 8/10
Andrea Kimi Antonelli – 7.º no Mundial (150 pontos)
Na sua época de estreia na Fórmula 1, Andrea Kimi Antonelli fechou o ano em 7.º lugar com 150 pontos, um registo muito sólido para um rookie integrado imediatamente numa equipa de topo. O italiano enfrentou uma curva de aprendizagem acentuada nas primeiras corridas, especialmente em circuitos mais exigentes em termos de gestão de pneus e tráfego, mas foi ganhando confiança e velocidade à medida que a temporada avançava.
Não foi uma época fácil para Antonelli, com o monolugar da Mercedes a demorar a dar o salto evolutivo que permitisse uma condução mais confortável e alguns problemas pontuais no simulador também prejudicaram o jovem em duas corridas.
A partir do meio do ano, Antonelli começou a pontuar com regularidade (oito corridas seguidas nos pontos) e a aproximar‑se mais de Russell em ritmo de corrida, contribuindo de forma decisiva para o reforço do total de pontos da Mercedes na fase em que a equipa consolidou o 2.º lugar no campeonato. Embora ainda lhe falte a experiência e a consistência, a combinação de velocidade pura, maturidade crescente e capacidade de trabalhar com a equipa deixou a sensação clara de que a Mercedes tem em mãos um projeto de longo prazo extremamente promissor. Começou o ano com muitas interrogações à sua volta, com receios que a sua tenra idade e os erros que demonstrou nas primeiras saídas com a Mercedes, fizessem do italiano um piloto mais suscetível de ter acidentes. Mas conseguiu gerir bem a pressão inicial. Claudicou a meio, mas encontrou-se rapidamente e rubricou uma excelente primeira temporada.
Nota: 7/10
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