Capital estrangeiro gera quase um quarto da riqueza da UE e emprega 16% dos trabalhadores
São poucas, mas têm uma influência considerável na economia europeia. Em 2024, as empresas sob controlo estrangeiro representavam apenas 1% das empresas de mercado da União Europeia (UE), mas empregavam 16% dos trabalhadores e eram responsáveis por 24% do valor acrescentado gerado no espaço comunitário.
Os dados do Eurostat mostram como o capital estrangeiro pode ter um peso económico muito superior à sua expressão numérica. A sua presença, porém, está longe de ser uniforme: há países onde domina uma parte substancial da atividade económica e outros onde tem uma expressão bastante mais limitada.
O Luxemburgo é o caso mais evidente em termos de presença empresarial. Em 2024, 28% das empresas de mercado do país estavam sob controlo estrangeiro, a maior proporção da União Europeia. A Estónia ocupava o segundo lugar, com 12%. Nos restantes Estados-membros, a percentagem não ultrapassava os 5%, chegando a apenas 0,3% na Polónia e em Itália.
A dimensão destas participações torna-se ainda mais clara quando se observa a riqueza produzida. Na Irlanda, as empresas controladas a partir do estrangeiro eram responsáveis por 72% do valor acrescentado nacional. No Luxemburgo, a proporção atingia 62% e, na Eslováquia, chegava a metade do total.
A realidade é bastante diferente nas maiores economias europeias. Em França, o capital estrangeiro representava 15% do valor acrescentado, enquanto na Alemanha e em Itália a proporção era de 18% em ambos os casos.
As diferenças são igualmente expressivas no mercado de trabalho. No Luxemburgo, 45% do emprego por conta de outrem e independente estava associado a empresas controladas por entidades estrangeiras. A Irlanda, a Eslováquia e a Roménia apresentavam proporções de 28%.
No extremo oposto encontrava-se a Grécia, onde estas estruturas representavam 8% do emprego. No Chipre e em Itália, o peso era de 10%.
Quanto à origem do controlo, a maioria destas empresas estava ligada a outros países da própria União Europeia: 59% eram controladas por unidades institucionais sediadas noutros Estados-membros. As restantes 41% estavam sob controlo de entidades estabelecidas fora da UE.
Os números revelam, assim, uma realidade que passa facilmente despercebida quando se olha apenas para o número de empresas: o capital estrangeiro ocupa uma parcela reduzida do tecido empresarial europeu, mas assume um papel determinante na criação de riqueza e de emprego em várias economias nacionais.
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