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Paulo Rangel diz que Portugal e Alemanha querem concluir orçamento da UE este ano

Paulo Rangel diz que Portugal e Alemanha querem concluir orçamento da UE este ano

Portugal e Alemanha afirmaram-se esta sexta-feira, 16 de outubro, empenhados em concluir as negociações sobre o próximo orçamento da União Europeia (UE) até final do ano, disse à Lusa o chefe da diplomacia portuguesa, após um encontro com o homólogo alemão, em Berlim.
Nas negociações sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual (2028-2034), Lisboa e Berlim têm posições diferentes: Portugal integra o chamado grupo dos países da coesão, que se opõem a mais cortes nos fundos da coesão e agricultura, enquanto a Alemanha é um dos ‘frugais’, que defendem cortes orçamentais.
Durante o encontro desta sexta, Paulo Rangel e o ministro alemão, Johann Wadephul, manifestaram o “empenho” de os dois países “trabalharem afincadamente” a fim de ser possível alcançar “um resultado positivo até ao fim do ano”, bem como de transmitirem esta posição “junto dos seus parceiros”, referiu o governante português.
Concluir as negociações ainda este ano, sublinhou Rangel, permitiria “dar um quadro de previsibilidade” para o período 2028-2034.
“Portanto, a ideia justamente foi a de vermos em que pontos é que devemos trabalhar para podermos acelerar e intensificar a negociação entre as partes”, adiantou, em entrevista à Lusa por telefone a partir de Berlim.
Rangel recordou que todas as negociações dos orçamentos comunitários sempre foram “muito difíceis, levadas até ao último minuto ou até ao último segundo”.
Mas, ressalvou, “houve sempre a capacidade de encontrar um entendimento”
“Portanto, essa experiência que a União Europeia já tem recomenda que se dê realmente uma grande aceleração e uma grande intensificação das negociações”, defendeu.
O ministro afirmou-se otimista quanto à possibilidade de os 27 chegarem a um acordo sobre o próximo orçamento.
“Esse otimismo é evidente porque foi sempre possível. Não será agora que não vai ser possível”, disse.
A questão, acentuou, “é saber se o podemos fazer dentro deste prazo, que permitiria uma programação da vida europeia muito mais cuidada, porque havia um ano ainda do quadro anterior [em vigor] para adaptar a máquina administrativa e preparar os investimentos futuros”.
Paulo Rangel também acredita que o resultado será “bom” para Portugal, mas “tudo depende de qual é o bolo do orçamento” – algo que está ainda em discussão.
“Portugal considera que, com novas ambições, o volume devia ser mais alargado porque temos que manter a coesão, temos que manter a política agrícola comum, temos que manter as regiões ultraperiféricas”, comentou, referindo-se a três aspetos essenciais para o Governo português nas negociações.
Se a UE quer aumentar o investimento em defesa e segurança, “isto implica obviamente que haja recursos para isso e isso tem como consequência que o orçamento não pode ser muito limitado”, insistiu.
Sobre a visita que realizou hoje à Alemanha – durante a qual também manteve contactos com a comunidade portuguesa -, Rangel classificou-a como “muito importante” e destacou as “relações bilaterais excelentes” e o “diálogo muito intenso” entre os dois governos.
Durante o encontro, os ministros apontaram “a boa cooperação económica e comercial” e os “progressos nas questões da língua e da cultura portuguesa na Alemanha”.
Rangel e Wadephul abordaram também vários temas da atualidade internacional, insistindo na “necessidade de apoiar a Ucrânia de forma sistemática e ainda mais empenhada” e manifestando preocupação com os crescentes ataques híbridos atribuídos a Moscovo, nomeadamente contra navios no mar Negro, ao largo da Roménia e da Bulgária.
Concordaram também na necessidade de “a comunidade internacional trabalhar” para restabelecer “de forma expedita” a liberdade de navegação na região do Médio Oriente, advertindo contra “o impacto económico muito negativo” para todos os países.

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