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Pobreza persistente atinge 9,5% da população em Portugal em 2025

Pobreza persistente atinge 9,5% da população em Portugal em 2025

Cerca de 9,5% da população residente em Portugal encontrava-se em situação de pobreza persistente em 2025, uma subida face ao mínimo de 7,1% registado em 2024, revela um estudo divulgado pela Iniciativa para a Equidade Social.
Segundo o relatório “Trajetórias da Pobreza e da Privação – Uma análise da última década”, entre as pessoas que estavam em risco de pobreza em 2025, representando 15,4% da população, 61,7% encontravam-se numa situação de pobreza persistente.
O estudo concluiu ainda que, entre 2022 e 2025, mais de um quarto da população (25,6%) esteve em risco de pobreza durante pelo menos um dos quatro anos analisados. Destes, 6,9% permaneceram nessa situação ao longo de todo o período, enquanto 74,4% nunca estiveram em risco de pobreza.
Apesar do agravamento registado em 2025, os autores destacam uma melhoria relativamente à última década, com a taxa de pobreza persistente a descer de 13,6% em 2015 para 9,5% em 2025.
A análise identifica também alterações no perfil etário da pobreza persistente. Em 2025, os idosos com 65 ou mais anos registavam a taxa mais elevada, de 10,6%, acima dos menores de 18 anos (9,3%) e da população entre os 18 e os 64 anos (9,0%).
Entre as crianças e jovens, a incidência da pobreza persistente caiu para cerca de metade na última década, passando de 18,1% em 2015 para 9,3% em 2025.
As mulheres continuaram a apresentar uma maior exposição à pobreza persistente do que os homens. Em 2025, a taxa atingia 10,0% entre as mulheres, face a 9,0% entre os homens.
O estudo avaliou igualmente as condições de privação material e social, concluindo que 5,8% da população se encontrava em situação de privação persistente em 2025, enquanto 1,8% vivia em privação severa persistente.
Entre 2022 e 2025, 21,4% dos residentes passaram por uma situação de privação material e social durante pelo menos um ano e 3,4% permaneceram nessa condição ao longo dos quatro anos.
As dificuldades mais frequentemente prolongadas no tempo estavam relacionadas com limitações financeiras. Cerca de 25,4% da população não conseguiu suportar, de forma persistente, uma semana de férias fora de casa, 22,4% não teve capacidade para substituir mobiliário usado e 20,7% não conseguiu fazer face a despesas inesperadas.
O relatório aponta ainda para uma forte associação entre pobreza persistente e menor bem-estar. Entre as pessoas nesta condição, 11,5% declararam estar “nada satisfeitas” ou “pouco satisfeitas” com a vida, proporção que desce para 2,8% entre quem não vivia em pobreza persistente.
Os autores identificaram também níveis mais baixos de confiança interpessoal entre as pessoas em situação de privação persistente. Quase um quarto (24,5%) afirmou não confiar nada nos outros, contra 7,2% entre quem não enfrentava essa situação.
O estudo foi elaborado por Bruno P. Carvalho, João Fanha, Miguel Fonseca e Susana Peralta no âmbito do projeto Portugal, Balanço Social, desenvolvido pela Iniciativa para a Equidade Social, uma parceria entre a Fundação “la Caixa”, o BPI e a Nova SBE, com base numa amostra representativa de 6.057 indivíduos acompanhados entre 2022 e 2025.

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