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GT4 European Series: Equipas portuguesas ao nível das melhores da Europa

GT4 European Series: Equipas portuguesas ao nível das melhores da Europa

O Autódromo Internacional do Algarve recebeu, no passado fim de semana, a nata dos GT, com as competições da SRO a darem mais uma demonstração de qualidade e vitalidade, com bancadas cheias. E a representação lusa não desapontou, provando o seu valor perante um exigente desafio.
A vinda do GT World Challenge Europe a Portimão para realizar a sua jornada de encerramento da temporada de 2026 motivou grande entusiasmo por parte dos fãs de automobilismo. O cartaz já era amplamente aliciante, mas a vinda de Max Verstappen gerou ainda mais interesse, e aquele último stint na noite algarvia foi um recital que merece ser visto e revisto. Mas nem só de grandes estrelas da F1 e dos GT se fez a história do fim de semana, com os títulos do GT4 European Series a serem decididos no AIA.
Quatro equipas lusas
Na lista de inscritos habituais figuravam duas estruturas que fazem parte dos campeonatos nacionais e ibéricos de GT4: a Speedy Motorsport, que este ano fez uma aposta forte e bem-sucedida nesta competição, e «nuestros hermanos» da NM Racing, também presença regular nas nossas pistas. Dada a proximidade geográfica e a oportunidade de competir perante os melhores, mais três estruturas fizeram parte do elenco da jornada final da temporada: a Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal, a Racar Motorsport e a Gianfranco Motorsport.
Do lado da Speedy, tínhamos as duas duplas habituais: Mees Houben e Lachlan Evennett no carro #4 e a dupla 100% lusa, composta por Tomás Guedes e Pedro Perino, no #6 da equipa portuguesa, ambas na categoria Silver. Do lado da TGR Caetano Portugal, uma dupla inédita, com Francisco Mora e José Carlos Pires a unirem esforços na Pro-Am, tal como a Racar, com Mathieu Martins e Vasco Oliveira. Do lado da Gianfranco, a habitual dupla composta por Alex Areia e Nuno Afonso, enfrentava um desafio totalmente diferente.
Numa lista de 35 inscritos, dos quais 19 na Silver e 13 na Pro-Am, as equipas nacionais tinham como desafio enfrentar algumas das melhores estruturas da Europa. Se a Speedy já chegava ciente da exigência, para as restantes era precisa uma adaptação rápida a um novo cenário competitivo. O que vimos foi a confirmação do nível das equipas lusas.

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Excelentes resultados
A Speedy saiu com bons resultados. Houben e Evennett conquistaram o quinto e o sétimo lugares na Silver e concluíram a temporada com o sexto posto no campeonato dos Silver, com Houben a ser coroado o melhor rookie da temporada. Guedes e Perino terminaram com um oitavo e um 12.º lugares na Silver, concluindo uma temporada de adaptação com nota positiva. A Speedy terminou o ano com três pódios, prova do excelente trabalho feito.
A Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal encerrou a participação no AIA com um quarto lugar na corrida 1 e um segundo lugar na corrida 2, sempre na Pro-Am, tendo conseguido estar no top 10 à geral em ambas as corridas. Do lado da Racar, a sorte não sorriu à dupla luso-francesa, com uma desistência já perto do fim da primeira corrida e uma corrida 2 longe dos resultados desejados. A Gianfranco respondeu da melhor forma ao azar da corrida 1, que resultou numa desistência também perto do fim, com um sexto lugar na corrida 2, igualmente na Pro-Am.

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A qualidade do trabalho nacional
Já há muito que se fala do nível das competições nacionais e ibéricas, mas há sempre quem desconfie do real valor do que se faz por cá. A prova está dada. Tivemos quatro equipas nacionais em competição no Europeu da categoria e cinco equipas que competem nos campeonatos ibéricos, todas à altura do desafio. E isso deve ser enaltecido! Temos um dos melhores campeonatos de GT4 da Europa, o nível é alto e tanto os pilotos, como as estruturas da frente do nosso campeonato têm capacidade para chegar ao GT4 European Series e lutar por bons resultados.
E isso deve-se à aposta certeira nos GT4 para a realidade nacional. Uma aposta que já deveria ter sido feita há mais tempo, mas que ainda chegou a tempo. Graças a isso e à aposta ibérica, vimos as nossas equipas crescerem em quantidade e qualidade. Vemos agora o nosso paddock com jovens talentos vindos de fora, à procura de afirmação nas nossas pistas. Temos pilotos, equipas, carros e pistas com potencial para ombrear com o que de melhor se faz na Europa.

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Velocidade cada vez melhor
Graças ao trabalho diligente da Race Ready, da FPAK e de todas as equipas nacionais, a velocidade cresceu. Os ralis sempre foram a modalidade mais forte em Portugal, mas o tempo da velocidade tímida, sem força e sem interesse pertence ao passado. Agora, há argumentos inegáveis que fazem do CPV uma das competições mais fortes do panorama nacional.
O fim de semana do AIA deu um sinal importante. A Speedy já anda pelo Europeu a crescer, a evoluir, com uma temporada completa concluída com excelentes registos. As restantes equipas sentiram a dificuldade e a exigência, mas talvez tenham também entendido que podem andar ao nível dos melhores. E esse passo pode ser importante para o nosso desporto, para as nossas equipas e para os nossos pilotos.
Não temos ilusões de que a chegada ao um novo patamar competitivo se faz sem dificuldades. A Speedy sentiu isso, mas quanto mais as nossas equipas lutarem com estruturas mais fortes, mais vão aprender, mais vão evoluir. Este é o processo imaginado na aposta nos GT4 que começa agora ganhar forma.
A época do GT4 European Series terminou, mas ainda temos duas rondas do Supercars Endurance e muitas boas lutas para ver. E agora estamos talvez um pouco mais cientes do bom trabalho que se faz por cá.
Foto: GT4 European Series
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