Leilão de rubis moçambicanos rende 44,2 milhões de euros
A Montepuez Ruby Mining (MRM), considerada a maior produtora de rubis do mundo, no norte de Moçambique, arrecadou 44,2 milhões de euros num leilão de rubis de qualidade mista, segundo informação ao mercado divulgada, esta segunda-feira, 19 de outubro.
Segundo informação divulgado, esta segunda-feira, pela acionista maioritária Gemfields, o leilão decorreu entre 05 e 16 de outubro, em Banguecoque e através de uma plataforma eletrónica, tendo permitido a venda de 92.153 quilates dos 102.099 disponibilizados, correspondentes a 90% do volume colocado na operação, o que rendeu 52 milhões de dólares (44,2 milhões de euros).
A empresa refere ainda ter vendido 90 dos 99 lotes de diamantes da MRM colocados em leilão, o equivalente a 90,9% do total oferecido aos compradores, e acrescenta que o preço médio alcançado foi de 564,54 dólares por quilate, o mais elevado dos últimos cinco leilões de rubis de qualidade mista realizados pela empresa, superando os 279,39 dólares por quilate obtidos em fevereiro deste ano e os 461,48 dólares registados em junho de 2025.
“Os resultados alcançados neste leilão refletem uma procura robusta ao longo da gama de tamanhos e qualidades oferecidas, com preços particularmente fortes para rubis maiores e de elevada qualidade”, afirmou o diretor de Produto e Vendas da Gemfields, Adrian Banks, citado na informação.
Segundo o responsável, o desempenho confirma “o prémio que os clientes atribuem a estes rubis excecionalmente raros e preciosos”.
Banks explicou que o leilão teve uma dimensão inferior à de anos anteriores, com pouco mais de 20 quilogramas de pedras colocadas à venda e predominância de rubis de qualidade superior.
“O menor volume reflete os desafios operacionais enfrentados este ano e a estratégia de leilões ‘Trade Select’ introduzida em junho”, afirmou, acrescentando que a nova abordagem permite ajustar melhor a composição dos leilões à produção disponível e à procura do mercado.
A Gemfields sublinha que a totalidade das receitas será repatriada para a MRM em Moçambique e que os ‘royalties’ devidos ao Estado moçambicano serão pagos sobre o valor integral das vendas alcançadas no leilão.
Os rubis comercializados foram extraídos pela MRM, empresa detida em 75% pela Gemfields e em 25% pela moçambicana Mwiriti Limitada, numa concessão mineira de 349 quilómetros quadrados localizada no distrito de Montepuez, província de Cabo Delgado.
Os resultados surgem depois de a MRM ter praticamente duplicado as receitas no primeiro semestre deste ano, para 76,1 milhões de dólares (64,9 milhões de euros), face aos 38,9 milhões de dólares (33,2 milhões de euros) registados no mesmo período de 2025.
De acordo com os resultados semestrais divulgados no início de outubro, o leilão realizado em fevereiro gerou receitas de 53 milhões de dólares (45,2 milhões de euros), enquanto o realizado em junho rendeu 23,1 milhões de dólares (19,7 milhões de euros).
A Gemfields refere que a MRM continua a ser “a maior produtora de rubis do mundo” e fornece aproximadamente 50% da oferta global de rubis de qualidade.
Desde o início da comercialização dos rubis de Montepuez, em junho de 2014, a empresa realizou dezenas de leilões internacionais que já geraram mais de 1.290 milhões de dólares (1.100 milhões de euros) até junho deste ano. Com os 52 milhões de dólares agora anunciados, o valor acumulado ultrapassa os 1.340 milhões de dólares (1.143 milhões de euros).
Dados do Governo moçambicano indicam que a produção nacional de rubis atingiu 3.183.333 quilates no primeiro semestre de 2026, um aumento de 61,4% face aos 1.972.110 quilates registados no mesmo período do ano anterior, desempenho atribuído sobretudo às empresas a operar em Cabo Delgado.
A própria Gemfields revelou anteriormente que a produção total de rubis e coríndon da MRM aumentou 89% no primeiro semestre, para 2,16 milhões de quilates, embora a produção de rubis de elevada qualidade tenha recuado 13%, para 30.408 quilates.
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