Abandono, falhanços e acusações. O que se passa com Cristiano Ronaldo?
Aos 41 anos de idade, Cristiano Ronaldo caminha a passos largos para se tornar no primeiro jogador da história do futebol mundial a alcançar a barreira dos 1.000 golos (já só faltam 19), mas aquilo que tinha tudo para ser uma jornada única está a revelar-se num autêntico suplício para o internacional português.
O madeirense já passou por muito, desde a estreia na equipa principal do Sporting, a 14 de agosto de 2002 (empate a ‘zeros’ com o Internazionale, para a primeira mão da terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões), mas estará a viver, possivelmente, aquele que é o mês mais complicado de uma carreira que vai já extensa.
O ‘inferno’ começou a desenhar-se no passado dia 30 de setembro, quando tomou a decisão de abandonar o estágio de Portugal, em plena fase de grupos da Liga das Nações, na véspera da vitória alcançada na deslocação ao Parken, sobre a Dinamarca, por 2-4, em desacordo com a maneira como foi gerido por Jorge Jesus.
Seguiu-se o tão badalado comunicado de cinco páginas, no qual pediu “desculpas aos portugueses” e expressou a vontade de continuar a representar a equipa das quinas, mas não poupou nas críticas tecidas ao selecionador nacional, com o qual disse ter alcançado uma “absoluta quebra de confiança”.
O respetivo castigo foi tornado público, na segunda-feira, quando a Secção Não Profissional do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) comunicou uma suspensão de 30 dias (e uma multa de 255 euros), que findará a 30 de outubro, ou seja, antes das duas últimas rondas da Liga das Nações.
Resta, agora, perceber se Jorge Jesus, que já garantiu não colocar qualquer objeção ao regresso de Cristiano Ronaldo, irá incluir o seu nome já na lista de convocados para os encontros com a Dinamarca (a 14 de novembro, no Estádio Municipal de Braga) e o País de Gales (três dias depois, no Cardiff City Stadium).
As duras acusações de Erik ten Hag
Desde então, Cristiano Ronaldo foi alvo de duras críticas por parte da esmagadora maioria do futebol mundial (a exceção foram os elogios de ‘aliados’ como Rio Ferdinand, Piers Morgan ou Edu Aguirre), mas nenhuma foi tão arrasadora quanto a que lhe foi dirigida por Erik ten Hag, na terça-feira, em entrevista concedida ao portal The Athletic.
“Ele desiludiu a equipa e desiludiu-me, porque tínhamos feito planos com ele. Eu viajei para Portugal para falar com ele sobre aquilo que almejava, antes de vir para o Manchester United. Obviamente, ele é um dos melhores da história do futebol. Eu respeito-o muito, mas, naquela altura, como treinador, tinha de tomar uma decisão racional e manter dentro os jogadores que admirava”, começou por afirmar.
“Eu confrontei-o com isto. Muitas vezes, disse-lhe ‘Ronnie, toda a gente quer trabalhar para te colocar na posição certa, mas, se não consegues colocar-te na grande área, não consegues marcar’. Ele não era capaz de fazer isto. É uma ideia errada imputar-me que eu queria que ele fizesse a pressão, que estivesse exausto…”, prosseguiu.
“Ele não conseguia fazê-lo. Ele não corria, nem em posse, nem sem posse de bola. O motivo era que ele não se preparava. Todas as equipas de topo têm de comprometer-se com o seu melhor jogador, mas o melhor jogador tem de trabalhar para a equipa”, completou, antes de deixar uma ‘feroz’ acusação ao internacional português.
“Ele dizia aos jogadores ‘Poupem as pernas nos treinos’. Eu percebo isto quanto estás na tua melhor forma. Tens sessão, podes poupar as pernas, mas, primeiro, tens de treinar para alcançar os níveis físicos certos (…). Os jogadores têm de agir, têm uma grande responsabilidade. O futebol não é, para alguns, a maior prioridade. E o Manchester United, para alguns, não era a maior prioridade”, rematou.
Cristiano Ronaldo salvo por João Félix
Confrontado com tudo isto, Cristiano Ronaldo teve, ao início da noite de terça-feira, uma oportunidade de ouro para dar resposta e demonstrar que continua ‘aí para as curvas’, no encontro da décima jornada do campeonato da Arábia Saudita. O Al Nassr venceu o Neom SC, por 1-0, é verdade, mas o avançado não esteve, de todo, nos seus dias.
O internacional português desperdiçou uma grande penalidade, à beira do apito para o intervalo, e, logo nos instantes iniciais da segunda parte, assinou um falhanço escandaloso, quando, após desvio de cabeça de Sadio Mané e com a baliza totalmente ‘escancarada’, fez a bola passar por cima da mesa.
O ‘filme’ só não adquiriu contornos ainda mais nefastos graças ao seu compatriota, João Félix, que, aos 61 minutos, recebeu um passe do brasileiro Ângelo Gabriel e desferiu, de primeira e à entrada da grande área, um potente remate que não deu hipóteses de defesa ao polaco Marcin Bulka.
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