Ten Hag coloca Bruno Fernandes no polo oposto de CR7: “É emocional, mas…”
O portal norte-americano The Athletic publicou, esta quarta-feira, a segunda parte de uma extensa entrevista realizada com Erik ten Hag, na qual, desta feita, o destaque vai para os rasgados elogios tecidos a Bruno Fernandes, internacional português ao qual confiou a braçadeira de capitão do Manchester United, durante a passagem por Old Trafford.
“Penso que foi bom para a equipa, a melhor solução, e para ele também foi bom. Obviamente, ele tem alguns prós e contras, mas tem uma grande perceção do jogo, é um profissional de topo e dá sempre o seu melhor. Tem um bom estilo de vida. Todos os dias, vai ao limite. É ele que está ao comando”, afirmou.
“Por vezes, ele fica emocional, mas é um vencedor (…). Eu dei-lhe alguma liberdade no plano de jogo. Penso que sou sempre bastante crítico e reflexivo comigo mesmo. Tenho de dizer que não consigo ver um jogo no qual os jogadores não tenham querido transferir o plano para o relvado. Tentaram sempre, porque penso que acreditavam naquilo que fizemos”, acrescentou.
Bruno Fernandes ao contrário de… Cristiano Ronaldo
Palavras que contrastam radicalmente com a avaliação que fez, na véspera, de Cristiano Ronaldo: “Ele desiludiu a equipa e desiludiu-me, porque tínhamos feito planos com ele. Eu viajei para Portugal para falar com ele sobre aquilo que almejava, antes de vir para o Manchester United. Obviamente, ele é um dos melhores da história do futebol. Eu respeito-o muito, mas, naquela altura, como treinador, tinha de tomar uma decisão racional e manter dentro os jogadores que admirava”.
“”Eu confrontei-o com isto. Muitas vezes, disse-lhe ‘Ronnie, toda a gente quer trabalhar para te colocar na posição certa, mas, se não consegues colocar-te na grande área, não consegues marcar’. Ele não era capaz de fazer isto. É uma ideia errada imputar-me que eu queria que ele fizesse a pressão, que estivesse exausto…”, atirou.
“Ele não conseguia fazê-lo. Ele não corria, nem em posse, nem sem posse de bola. O motivo era que ele não se preparava. Todas as equipas de topo têm de comprometer-se com o seu melhor jogador, mas o melhor jogador tem de trabalhar para a equipa”, completou, antes de deixar uma ‘feroz’ acusação ao internacional português.
“Ele dizia aos jogadores ‘Poupem as pernas nos treinos’. Eu percebo isto quanto estás na tua melhor forma. Tens sessão, podes poupar as pernas, mas, primeiro, tens de treinar para alcançar os níveis físicos certos (…). Os jogadores têm de agir, têm uma grande responsabilidade. O futebol não é, para alguns, a maior prioridade. E o Manchester United, para alguns, não era a maior prioridade”, rematou.
“Ofereci o meu conhecimento e capacidades à INEOS, mas eles eram da opinião de que já sabiam tudo”
Nesta mesma entrevista, o treinador neerlandês lamentou a falta de crédito que lhe foi dada pela própria direção dos red devils: “um treinador deve receber, no final, toda a informação. Precisas de outros num clube que reunam toda a informação e deixem tudo pronto para tomar as decisões finais. As organizações de topo inovam continuamente e estão, na verdade, na liderança das inovações”.
“Eu ofereci o meu conhecimento e capacidades à INEOS, para os ajudar a construir, mas eles eram da opinião de que já sabiam tudo. Estavam convencidos, digamos, da filosofia, da estratégia e dos métodos de trabalho, mas vieram dos petroquímicos, da Fórmula 1, do ciclismo… O futebol de topo exige algo totalmente diferente”, concluiu.
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