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Estudo indica que 88% das gestoras em Portugal antecipam crescimento dos negócios até 2029

Estudo indica que 88% das gestoras em Portugal antecipam crescimento dos negócios até 2029

As líderes empresariais portuguesas revelam uma elevada confiança no crescimento das suas próprias empresas nos próximos três anos, superando a média mundial, apesar de demonstrarem uma prudência acentuada em relação à economia nacional e global.
De acordo com o estudo Global Female Leaders Outlook 2026 da KPMG, 88% das gestoras em Portugal estão otimistas quanto ao futuro das suas organizações (face a 72% a nível global) e 70% acreditam na evolução positiva do seu setor (face a 62% global).
Em contrapartida, a confiança cai progressivamente à medida que o horizonte se alarga, com apenas 35% a demonstrar otimismo face à economia portuguesa e uns expressivos 17% em relação à economia mundial.
Este último indicador representa o nível mais baixo de confiança na economia global registado em todo o período analisado pelo estudo, ficando inclusivamente abaixo dos valores verificados durante a pandemia da COVID-19.
Esta disparidade evidencia que a confiança destas gestoras se foca naquilo que podem influenciar diretamente, como a estratégia e o desempenho interno, perante um contexto externo marcado pela incerteza macroeconómica e geopolítica.

Segundo Filipa Barreto, Partner de Advisory da KPMG Portugal, o paradigma do crescimento mudou e “crescer já não significa necessariamente aumentar as equipas ao mesmo ritmo”, exigindo agora um novo perfil de liderança capaz de decidir sob pressão, conduzir transformações e converter a literacia digital numa vantagem competitiva.

O estudo comprova esta mudança na estratégia de crescimento: embora 67% das líderes em Portugal esperem um aumento dos resultados financeiros nos próximos três anos, apenas 38% antecipam a contratação de mais trabalhadores, uma tendência alinhada com os dados globais.

Para sustentar esta eficiência, 61% das organizações portuguesas estão a privilegiar o investimento em novas tecnologias, contra 35% que apostam no desenvolvimento de competências. Em Portugal, os maiores ganhos da Inteligência Artificial (IA) centram-se na eficiência operacional e na automação de tarefas repetitivas.

Contudo, a aplicação da IA em áreas de maior valor acrescentado, como o apoio à decisão e a análise de dados, permanece abaixo da média global, existindo ainda 20% de empresas no país que admitem não retirar qualquer valor económico desta tecnologia, mais do dobro da média mundial (8%).

No plano da diversidade e inclusão, 64% das inquiridas portuguesas reconhecem que a equidade de género no topo da hierarquia corporativa impulsiona o crescimento do negócio. Apesar deste reconhecimento, a paridade real nos cargos de decisão continua distante, com 82% das organizações representadas em Portugal a ficarem aquém desse objetivo, uma realidade ligeiramente superior aos 75% registados a nível global.

O relatório da KPMG destaca também a saúde da mulher como um fator crítico para o desempenho e sustentabilidade das carreiras. Embora 97% das inquiridas a nível mundial considerem que as empresas têm responsabilidade nesta área e 70% assumam que a saúde já afetou o seu trabalho quotidiano, o progresso prático continua lento. Tanto em Portugal como no resto do mundo, cerca de uma em cada quatro organizações (26% no caso português) ainda não disponibiliza qualquer medida específica de apoio à saúde feminina.

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