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Habitação: Sindicato de Migração repudia “veementemente narrativas que procuram associar crise à população imigrante”

Habitação: Sindicato de Migração repudia “veementemente narrativas que procuram associar crise à população imigrante”

O Sindicato dos Técnicos de Migração (STM) emitiu, esta quinta, um comunicado a repudiar veementemente as narrativas que procuram associar a crise da habitação em Portugal à população imigrante, ignorando os verdadeiros fatores estruturais apontados por especialistas, entidades académicas e organismos públicos.

No documento, o sindicato sublinha que responsabilizar os migrantes por um problema complexo e multifacetado é incorreto, alimenta estigmas sociais, fragiliza a coesão e desvia o debate político das soluções reais.

Os profissionais que lidam diariamente com o sistema migratório no terreno rejeitam estes argumentos e lembram que os dados oficiais do Observatório das Migrações mostram uma realidade diferente: em 2025, mais de 1,1 milhões de cidadãos estrangeiros descontaram para a Segurança Social, garantindo 14% das contribuições totais e um saldo positivo de aproximadamente 3,3 mil milhões de euros.

O STM esclarece ainda que as equipas da AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo) atuam com rigor no terreno, identificando situações de exploração e fiscalizando de forma constante e exigente as declarações de alojamento apresentadas, contrariando a ideia de que estes processos decorrem sem controlo ou verificação.

O sindicato manifesta ainda profunda preocupação com o facto de a imigração continuar a ser instrumentalizada como ferramenta política para desviar atenções das responsabilidades governativas e da ausência de medidas estruturais na habitação, um ruído que prejudica cidadãos, trabalhadores e as próprias instituições do Estado.

Esta quinta-feira, o ministro da Presidência afirmou que “há uma relação” entre os problemas da habitação e o aumento da imigração em Portugal, mas defendeu que “a culpa não foi dos imigrantes, mas da governação socialista”.

“A culpa não é do imigrante que procura casa, é da irresponsabilidade dos políticos que governaram o país nesse tempo e abriram as portas e permitiram fluxos tão grandes de entrada de pessoas e não cuidaram de aumentar a oferta de habitação e saúde”, disse António Leitão Amaro, na conferência de imprensa após a reunião semanal do Conselho de Ministros.

Já na quarta-feira, o debate de urgência sobre habitação ficou marcado por acusações do PSD e Chega, que atribuíram a crise habitacional à entrada de imigrantes em Portugal.

No mesmo dia, o ministro da Defesa Nacional e líder do CDS-PP, Nuno Melo, defendeu que a atual crise da habitação está ligada “a um descontrolo absoluto dos fluxos migratórios no país nos últimos anos”.

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